BNPB / AFP
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Número de mortes após terremotos e tsunami na Indonésia sobe para 832

Há relatos de dezenas de pessoas ainda presas nos escombros de hotéis e número de vítimas pode passar de mil, segundo autoridades

O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2018 | 11h07
Atualizado 30 Setembro 2018 | 21h53

JACARTA - O número de mortos no terremoto de sexta-feira na Indonésia seguido de tsunami subiu neste domingo para 832, com autoridades temendo que o total aumente ainda mais à medida que equipes de resgate alcancem comunidades isoladas. O vice-presidente, Jusuf Kalla, afirmou que o número de mortes poderia chegar a milhares. 

Dezenas de pessoas estão presas nos escombros de dois hotéis e um shopping na cidade de Palu, que foi afetada por ondas de até 6 metros de altura, após um terremoto de magnitude 7,5 graus na sexta-feira. 

Uma mulher foi retirada com vida dos destroços do Hotel Roa Roa, onde estariam até 60 pessoas. Centenas de familiares se reuniram no sábado no shopping destruído em busca de entes queridos. O porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB), Sutopo Purwo Nugroho, afirmou, em entrevista coletiva em Jacarta, que 821 pessoas morreram em Palu e 11 em Donggala.

Sobreviventes da tragédia, famintos e correndo riscos, saquearam shopping centers por comida, água e roupas, mesmo com a estrutura dos imóveis abalada.

Com a maioria das mortes ocorreram em Palu, autoridades se preparavam ontem para algo muito pior, já que havia buscas em outros locais, especialmente em Donggala, uma região de 300 mil pessoas ao norte de Palu e muito mais próxima do epicentro do terremoto.

A catástrofe começou com um terremoto de 6,1 graus na escala Richter que deixou um morto e 20 feridos. Cerca de três horas depois veio o terremoto mais forte, de 7,5 graus, seguido de um tsunami. Um alerta foi emitido, mas suspenso 30 minutos depois. Segundo autoridades, muitas vítimas foram surpreendidas quando estavam na praia – o que provocou muitas críticas da população. 

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, começou hoje uma visita às regiões mais afetadas para ver a tragédia de perto e garantir a ajuda a todos. “Quero ver eu mesmo e me assegurar de que a resposta ao impacto do terremoto e do tsunami em Celebes chegue a todos nossos irmãos de lá. Peço que o país reze por eles”, escreveu o presidente em sua conta no Twitter antes de partir. 

De acordo com o governo, 540 pessoas estavam internadas e 16.732 estava desabrigadas. A União Europeia anunciou o envio de € 1,5 milhão em ajuda humanitária de emergência para a Indonésia. Os recursos servirão para provisões essenciais como comida, teto, água, e produtos médicos e de saúde, segundo um comunicado emitido polo comissário europeu de ajuda humanitária, Christos Stylianides. “Nossos pensamentos estão com todas as vítimas e as equipes de socorro que trabalham contra o tempo para salvar vidas.”

A Comissão Europeia enviou um especialista para coordenar as equipes de resgate da UE e ativou o serviço de emergência do satélite Copérnico para criar mapas da situação. O centro de coordenação de resposta de emergências da Comissão Europeia “estava monitorando de perto os avanços e pronto para canalizar mais apoio quando for necessário”, declarou o órgão. 

O papa Francisco expressou hoje solidariedade às vítimas. O pontífice proferiu uma oração para os mortos, os feridos e todos os que perderam os lugares onde moravam, após a tradicional oração do Ângelus, na Praça de São Pedro. O papa também orou pelos que trabalham nos resgates. 

Nas redes sociais circularam vídeos mostrando a chegada de uma onda gigante na costa de Palu, conhecida por suas praias, carregando carros e estruturas de madeira antes de atingir as paredes de um shopping e de uma mesquita.

Entre os mortos está um controlador de tráfego aéreo de 21 anos que permaneceu em seu posto no momento do terremoto para garantir que um avião de passageiros prestes a decolar seguisse viagem em segurança. 

De acordo com autoridades do setor de aviação, Anthonius Gunawan Agung saltou da torre de controle quando a estrutura começou a ruir, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Autoridades indonésias reconheceram que o sistema de prevenção a tsunamis falhou. Após o tremor, um alerta disparou, mas foi retirado 34 minutos depois. Em Palu, centenas de pessoas participavam de um festival na praia e foram varridas pela onda gigantesca. 

“Quando a ameaça surgiu, muitas pessoas ainda estavam fazendo suas atividades na praia e não correram imediatamente, se tornando vítimas. Muitos corpos foram encontrados na costa em razão do tsunami”, relatou Nugroho. 

A BMKG foi alvo de duras críticas nas redes sociais. Rahmat Triyono, chefe do centro de tsunamis, afirmou que a onda atingiu Palu antes que o alerta fosse suspenso.

Turismo

O desastre de sexta-feira segue uma série de terremotos e erupções vulcânicas ocorridas nos últimos meses, que tem atraído a atenção da mídia para as dificuldades do governo em atrair mais turistas para o país. O presidente quer elevar o número de visitantes estrangeiros no país em 47% no próximo ano, para alcançar 20 milhões.

A intenção é se aproximar de países vizinhos como Tailândia, Cingapura e Malásia, que são mais frequentados pelos viajantes. Essa indústria, que movimenta US$ 20 bilhões por ano, já é a maior fonte de entrada de recursos estrangeiros da ilha e uma fonte significativa de emprego para o país de 250 milhões de pessoas. / AFP, AP, NYT e REUTERS

PARA LEMBRAR 

No dia 26 de dezembro de 2004, um terremoto de magnitude entre 9,1 e 9,3 atingiu a Indonésia – foi o terceiro maior terremoto já registrado por um sismógrafo. O abalo causou uma série de tsunamis devastadores ao longo do Oceano Índico, com ondas de até 30 metros em regiões próximas ao epicentro. Até hoje não se sabe o número exato de vítimas, mas estima-se que pelo menos 230 mil pessoas morreram em 14 países, entre eles Indonésia, Sri Lanka, Índia, Mianmar, Somália e Malásia. O prejuízo total foi calculado em US$ 20 bilhões. O terremoto, conhecido como “Sumatra–Andaman”, provocou uma reação imediata da comunidade internacional, que se mobilizou rapidamente para ajudar as vítimas.

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