EFE/Yudha Lesmana
EFE/Yudha Lesmana

Queda de avião militar na Indonésia mata ao menos 141

Segundo a Força Aérea, havia 113 pessoas no Hércules C-130, a maioria parentes de militares

O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 12h29

(Atualizado às 22h44) JACARTA - Um avião da Força Aérea da Indonésia caiu nesta terça-feira em uma área residencial da cidade de Medan, a terceira maior do país, pouco depois de decolar. Segundo fontes da polícia, foram recuperados 141corpos. A aeronave, de modelo Hercules C-130, fez duas escalas antes de chegar a Medan, no norte da Ilha de Sumatra, depois de sair de Jacarta, a capital do país.

Segundo o marechal da Força Aérea, Agus Supriatna, havia 113 pessoas a bordo. Não há informações sobre quantos eram civis e quantos eram militares. Alguns dos passageiros eram parentes dos militares. Entre os mortos está uma criança de aproximadamente 1 ano.  As autoridades não souberam informar quantas pessoas, cujos corpos foram recuperados, estavam no avião e quantas morreram em solo.

“É normal parentes de militares serem transportados nesses voos para lugares remotos do arquipélago”, disse Gerry Soejatman, um especialista em aviação indonésio. 

Imagens de emissoras de televisão indonésias mostraram destroços do avião, um carro amassado em chamas e um edifício atingido. A aeronave, que estava em serviço desde 1964, caiu apenas dois minutos depois de decolar da base aérea de Soewondo.

O chefe da Força Aérea disse que o piloto relatou à torre de controle que a aeronave precisava voltar por causa de problemas no motor. "O avião caiu enquanto ele estava virando à direita para retornar ao aeroporto", contou.

Um morador de Medan, Fahmi Sembiring, disse que viu o Hércules C-130 voando muito baixo. “Havia fumaça negra e chamas que saíam do avião enquanto ele estava no ar”, declarou. Segundo outra testemunha, o avião sobrevoou a área três vezes e na terceira atingiu o alto de um hotel e explodiu. Apenas a cauda do avião era reconhecível. O restante da fuselagem ficou totalmente destruída. 

Janson Halomoan Sinagam, disse que vários de seus parentes estavam no avião que caiu em Medan. “Queremos saber o que aconteceu”, disse, entre lágrimas, à emissora MetroTV. “Mas não recebemos nenhuma informação do hospital.”

É a segunda vez em dez anos que um avião cai em uma área residencial de Medan. Em setembro de 2005, um Boeing 737 da Mandala Airlines caiu na cidade e matou 143 pessoas, incluindo 30 que estavam no chão.

A Indonésia tem um histórico de segurança da aviação instável. Entre 2007 e 2009, a União Europeia proibiu companhias aéreas indonésias de voarem para a Europa por preocupações com a segurança. Houve cinco acidentes fatais envolvendo aviões da Força Aérea desde 2008, de acordo com autoridades locais que acompanham acidentes aéreos.

O especialista em aviação disse que no passado a Força Aérea reclamava que o embargo dos EUA à Indonésia, adotado em razão dos abusos cometidos em Timor Leste, estava prejudicando os serviços de manutenção das aeronaves. Mas o embargo foi levantado em 2005 e os militares não têm desculpa para o caso. “Temos de averiguar porque isso aconteceu. No passado era fácil achar uma desculpa. Mas agora não temos mais o embargo”, disse Soejatman.

Logo após o acidente, deputados da Comissão de Defesa do Parlamento pediram ao governo que substitua os antigos aviões militares.

Itamaraty. Em uma nota divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores, o governo brasileiro manifestou seu pesar pelo acidente aéreo. No texto, o governo envia “às famílias afetadas, ao povo e ao governo da Indonésia suas condolências e solidariedade”. / Associated Press, Reuters e NYT

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