Número de mortes na Argélia chega a 80

Sequestro em refinaria de gás e combates entre o Exército argelino e militantes islamitas deixam 48 reféns e 32 sequestradores mortos

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL / NIONO, MALI, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2013 | 02h00

Um dia depois de encerrada a sangrenta ação de resgate no complexo de gás de In Amenas, perto da fronteira entre a Argélia e a Líbia, ainda não havia ontem à noite um número total de mortos - e suas nacionalidades. De acordo com o agência Reuters, ao menos 48 reféns e 32 sequestradores foram mortos. O Ministério do Interior da Argélia disse que 107 reféns estrangeiros e 685 argelinos foram liberados desde o primeiro dia do sequestro. O argelino Mokhtar Belmokhtar assumiu a responsabilidade do ataque em nome da Al-Qaeda.

Militares argelinos vasculharam o complexo ontem, em busca de corpos. O detalhamento do número de mortes por nacionalidade tem sido feito por empresas e governos de países que tinham trabalhadores no local. A construtora japonesa JGC, por exemplo, informou que não havia notícia sobre o paradeiro de 17 de seus funcionários - 10 japoneses e 7 de outros países. De acordo com o governo da Malásia, havia 5 cidadãos do país trabalhando para a JGC no complexo, dos quais 3 sobreviveram e 2 estão desaparecidos.

Já o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que 7 cidadãos do país podem ter morrido no episódio. A morte de apenas um deles foi confirmada até ontem. A companhia de petróleo norueguesa Statoil anunciou que o paradeiro de 5 de seus empregados era desconhecido. Havia ainda americanos, franceses, romenos e um austríaco dentre os cerca de 100 estrangeiros no complexo, tomado por combatentes islâmicos na madrugada de quarta-feira. Outros 550 eram trabalhadores argelinos, mas a maioria escapou. Segundo um funcionário argelino, os sequestradores disseram que os reféns muçulmanos não tinham nada a temer - pois estavam interessados nos "cristãos e infiéis".

O grupo responsável pelo sequestro é liderado por Belmokhtar, que se retirou da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) para criar sua própria "franquia", com outro argelino, Abu Zeid. Eles têm base no norte do Mali e a ação foi uma retaliação contra a cooperação da Argélia, que abriu seu espaço aéreo para a passagem dos aviões franceses que atacam posições dos combatentes islâmicos em território malinês.

Ironicamente, Belmokhtar é considerado mais pragmático que Abu Zeid, que em 2010 decapitou um britânico e executou um francês depois de uma frustrada tentativa de resgate dos reféns, que deixou 6 militantes da AQMI mortos. Belmokhtar costuma preferir dinheiro a sacrificar vítimas - estima-se que ele obtenha US$ 3 milhões por refém ocidental.

A AQMI é um dos grupos radicais islâmicos a ocupar o norte do Mali desde o início de 2012, ao lado do Ansar Dine, seu aliado, e do Movimento pela Unidade e Jihad na África Ocidental (Mujao). A tomada do território se estende por dois terços do país e teve a participação do Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA), composto por tuaregues vindos da Líbia depois da queda de Muamar Kadafi, que os patrocinava. Mas o MNLA, de orientação laica, rompeu com os combatentes islâmicos em razão de seu plano de implementar uma república islâmica em todo o Mali./ COM AGÊNCIAS

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