REUTERS/Mike Blake
REUTERS/Mike Blake

Número de mortes na fronteira entre EUA e México aumenta 17% em 2017

Dado coincide com uma política mais restritiva por parte de Donald Trump em relação à imigração irregular; julho foi o mês que registrou mais mortes, com 50 corpos descobertos na região fronteiriça

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 10h46

GENEBRA - Dados divulgados pela Organização Internacional de Migrações (OIM) nesta sexta-feira, 4, apontam um aumento no número de mortes na fronteira entre o México e os EUA, coincidindo com uma política mais restritiva por parte do governo de Donald Trump em relação à imigração irregular. As informações mostram que nos primeiros sete meses de 2017, 232 imigrantes morreram na tentativa de realizar a travessia. O número é 17% superior ao que foi registrado em 2016.

O mês que registrou mais mortes foi o de julho, com 50 corpos descobertos próximos à fronteira. Nove deles, por exemplo, foram encontrados ao longo do Rio Grande, e outros dez dentro de um caminhão no Texas. No Arizona, foram 96 corpos numa região que enfrenta temperaturas acima de 40ºC.

Na avaliação da OIM, o que preocupa é que o salto no número de mortes surge no momento em que há uma queda no fluxo migratório. Entre janeiro e junho, o total de pessoas detidas cruzando a fronteira foi de 140 mil, metade do que foi registrado em 2016.

Desde 2014, o levantamento estima que 1,2 mil imigrantes morreram tentando viver o "sonho americano".

Na avaliação da OIM, muitas dessas vítimas jamais são reportadas e não se transformam em notícia, seja no México ou nos EUA. O último caso registrado, por exemplo, se refere à morte de um garoto de cinco anos, que se afogou no Rio Grande, perto de Tamaulipas, no México.

Em 2017, o rio que serve de fronteira foi responsável por 57 mortes, 54% a mais que em 2016, quando 37 pessoas morreram. Especialistas da OIM estimam que o motivo seja a correnteza mais forte deste ano, causada por chuvas intensas.

Além das vítimas da fronteira entre os dois países, a entidade alerta que muitos dos imigrantes que desaparecem pelo caminho ainda são mortos em outros trechos, antes mesmo de chegar aos EUA, principalmente no caso da Nicarágua.

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