AP Photo/David J. Phillip
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Tempestade Harvey causa inundação recorde e deixa 9 mortos no Texas

Volume de chuva na área de Houston chega a quase 700 milímetros em 24 horas e autoridades pedem que socorristas priorizem casos ‘de vida ou morte’; milhares ficam ilhados em casas e prédios; presidente Trump viaja na terça-feira à região

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2017 | 12h06
Atualizado 29 Agosto 2017 | 00h50

HOUSTON, EUA - A passagem da tempestade tropical Harvey pelo Estado americano do Texas causou inundações sem precedentes e deixou pelo menos nove mortos. A região de Houston, principal cidade texana, foi duramente atingida, com algumas localidades registrando quase 700 milímetros de chuva em menos de 24 horas.

Uma das vítimas morreu ao ficar presa no incêndio de sua casa durante a tempestade na região de Rockport, segundo uma fonte do condado de Aransas, no litoral texano. Em Houston, uma mulher se afogou ao deixar seu carro em uma área inundada, de acordo com a imprensa local.

As projeções divulgadas neste domingo, 27, pelo Serviço Meteorológico Nacional americano (NWS, na sigla em inglês) mostravam um cenário ainda mais preocupante. Segundo ele, até que a tormenta se dissipe, o total de chuva sobre as áreas atingidas do Texas deve passar de 1.200 milímetros. Além disso, a seção principal da tempestade deve se afastar de Houston, mas retornar à cidade na quarta-feira.

"As dimensões e a intensidade desta chuva estão além de qualquer coisa que já tenhamos experimentado antes e resultarão em uma inundação catastrófica", afirmou um comunicado do NWS.

Os pedidos de resgate feitos por moradores da região de Houston superaram a capacidade de atendimento dos serviços de emergência. Helicópteros, barcos e caiaques percorriam as ruas da cidade para ajudar pessoas que estavam ilhadas em suas casas – muitas já haviam sido obrigadas a subir nos telhados para fugir da água.

Sem condições de atender a todos, os socorristas precisaram priorizar os casos de vida ou morte, deixando de lado as famílias que estavam presas em suas casas, mas em relativa segurança. O principal centro de convenções de Houston foi aberto e transformado em um abrigo temporário.

"Tivemos de quebrar uma janela para conseguir sair de casa", contou Gillis Leho, que levou os dois netos ao abrigo. Ela afirmou que, ao despertar nesta manhã, desceu ao andar térreo de sua casa e já encontrou o local completamente inundado. Em desespero, juntou alguns poucos objetos pessoais e, com as duas crianças, subiu para a parte superior do imóvel. Quando a água chegou à janela, quebrou os vidros e saiu, recebendo auxílio de um pequeno barco. 

As principais redes de TV americanas mostravam neste domingo cenas de moradores de Houston utilizando seus próprios barcos, caiaques ou até pranchas de surfe para tentar auxiliar vizinhos – especialmente, os idosos – e também para resgatar animais de estimação deixados para trás por seus donos.

Resposta

"Não é preciso nem dizer que esta é uma tempestade muito, muito grave e sem precedentes", afirmou o prefeito de Houston, Sylvester Turner. Ele informou que, até esta tarde, os serviços de emergência já haviam recebido mais de duas mil ligações telefônicas de cidadãos pedindo ajuda.

Turner recebeu muitas críticas por ter rejeitado a ideia de ordenar a saída dos cidadãos antes que o Harvey atingisse a região. Segundo ele, decretar uma retirada dos cerca de 2,3 milhões de moradores de Houston teria causado uma tragédia ainda pior. Após as críticas, ele defendeu sua decisão. "Se você acha que a situação está ruim e dá uma ordem de saída em massa, você estará criando um pesadelo", afirmou.

A Casa Branca afirmou neste domingo que o presidente Donald Trump viajará na terça-feira ao Texas para averiguar pessoalmente a situação e participar in loco da coordenação dos trabalhos de resgate e recuperação. "Estamos coordenando a logística com as autoridades municipais e estaduais", afirmou a porta-voz, Sarah Sanders. 

Mais cedo, ele havia dito em sua conta no Twitter que em breve estaria no Estado. "Irei ao Texas tão logo a viagem possa ser feita sem causar nenhum transtorno. O foco deve ser na vida e na segurança", tuitou o presidente.

O Harvey atingiu a costa do Texas na madrugada de sábado, ainda como um furacão de categoria 4. Horas depois, foi rebaixado para a categoria 1 e, em seguida, para uma tempestade tropical. A expectativa é de que continue castigando os EUA até, no mínimo, a quinta-feira.

Estrago

O diretor da Agência Federal para Manejo de Emergências (Fema, na sigla em inglês), Brock Long, disse que os esforços para recuperar as áreas afetadas durarão muito tempo. “Esse desastre será um acontecimento marcante”, afirmou, acrescentando que a agência terá de manter os trabalhos de recuperação no Texas “por anos” após o desastre. 

O custo dos danos causados pelo Harvey pode igualar o do Katrina, em 2005, afirmou o Instituto para Informação sobre Seguros. Segundo a porta-voz da organização, a soma deve chegar aos mesmos cerca de US$ 15 bilhões, já que o volume de água despejado sobre o Texas é sem precedentes.

Transtornos

Os dois principais aeroportos de Houston foram totalmente fechados pela passagem da tempestade Harvey. Mais de mil voos foram cancelados e não há previsão de reabertura. As estradas de acesso aos aeroportos, segundo as autoridades, estão bloqueadas pelas enchentes. 

A chegada da tormenta também afetou a produção e o escoamento de petróleo e gás natural no Estado. No total, 22% da produção de petróleo e 26% da de gás do país ficaram paralisadas. / AP, NYT e REUTERS

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