Número de mortos chega a 1,8 mil no Afeganistão

Um terremoto devastador arrasou diversas cidades na cordilheira de Hindu Kush, no norte do Afeganistão, onde as autoridades locais estimam em 1.800 o número de pessoas mortas e em milhares a cifra de feridos nesta região duramente atingida pela seca, pela guerra e pela falta de comida.No local, o comandante militar da região de Baglan, atingida por um terremoto de 5,9 graus na escala Richter na noite de segunda-feira, disse que o tremor causou o desabamento de aproximadamente 20 mil casas de barro. Ainda segundo ele, entre 600 e mil pessoas teriam ficado presas nos escombros das construções. O número poderia chegar a 2 mil , comentou o general Haider Khan.Agências humanitárias estimam em mais de 10 mil o número de pessoas desabrigadas, à medida que reflexos dos tremores continuavam ocorrendo em toda a cordilheira, aumentando o risco de deslizamentos de terra.O bairro velho da cidade de Nahrin foi soterrado e totalmente destruído, e as agências humanitárias se apressavam para obter abrigo para cerca de 7 mil famílias apenas naquela área, comentou o porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Manoel de Almeida e Silva.Um dos reflexos sacudiu a região na noite de hoje, aumentando o medo de pessoas que pretendiam entrar em suas casas, de estrutura muito frágil. Algumas pessoas dormiam ao ar livre, disse o porta-voz da ONU, enquanto a previsão é de que as temperaturas na região fiquem entre os 5º C e 8º C."A situação da água também causa preocupação. No entanto, o rio continua fluindo e as pessoas ainda têm acesso a ele", prosseguiu.O Ministério da Defesa do Afeganistão informou que 600 corpos foram recuperados das cidades que continuavam sendo atingidas por freqüentes reflexos. A televisão de Cabul informou que 12 mil metros de pano branco foram enviados à área para cobrir os mortos do segundo terremoto fatal deste mês naquela região.Algumas fontes ligadas ao governo local estimam em mais de 4.800 o número de mortos.Muitas pessoas desta região rural já duramente atingida pela seca e pela falta de comida estavam em casa quando ocorreu o terremoto, por volta das 19h30 locais de segunda-feira, com epicentro registrado a cerca de 140 quilômetros de Cabul, sendo esta uma das causas de tantas mortes, segundo funcionários do governo."As pessoas foram pegas em casa", comentou Nigel Fisher, um funcionário da ONU no Afeganistão. "Alguns moradores da região fugiram da seca e da guerra na direção do Paquistão e muitos ainda nem voltaram para casa", comentou. "De certa forma, foi uma sorte não haver mais pessoas aqui."Algumas estradas ficaram intransitáveis por causa dos escombros e seis helicópteros afegãos foram enviados à área para remover os mortos e transportar especialistas em imunização, suprimentos médicos e funcionários para calcular os danos.O Exército dos Estados Unidos, a força internacional de manutenção de paz e agências humanitárias estavam mobilizando ajuda humanitária e especialistas para ajudar nas operações de limpeza e resgate.O epicentro dos tremores foi localizado nas montanhas de Hindu Kush, ao pé das quais ficava Nahrin, o povoado soterrado.O maior tremor atingiu 5,9 graus na escala Richter, segundo o instituto de observação geológica do Colorado, nos EUA, e atingiu também a região noroeste do Paquistão. Institutos sismológicos paquistaneses estabeleceram a intensidade do maior tremor em 6,2 graus na escala Richter.Nahrin fica a 120 quilômetros da capital afegã, Cabul, e a relativamente pouca distância das montanhas de Khost, pesadamente bombardeadas pelos Estados Unidos durante a campanha militar contra a Al-Qaeda e o movimento fundamentalista islâmico Taleban.Em Cabul, responsáveis pelas agências da ONU e membros de organizações não-governamentais - como a Cruz Vermelha e seu equivalente islâmico, o Crescente Vermelho -, do governo afegão e da Força Internacional de Segurança e Assistência para o Afeganistão (Isaf) estavam reunidos hoje à noite para coordenar os trabalhos de resgate e assistência aos feridos e desabrigados.Os países da União Européia enviaram hoje mesmo ao Afeganistão 500 barracas e mil cobertores, e preparava-se para realizar amanhã o envio de uma remessa de 1.500 barracas e 1.500 kits de ajuda - com cobertores, estojos de primeiros-socorros e alimentos.O chefe do governo interino afegão, Hamid Karzai, cancelou uma viagem que faria à Turquia para coordenar as tarefas de resgate. Karzai destinou também US$ 600 mil do combalido tesouro afegão para ajudar os flagelados.

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