Número de mortos chega a 22 em protestos na Tailândia

Mais seis pessoas foram mortas e 31 ficaram feridas hoje em confrontos entre manifestantes e o Exército em Bangcoc, capital da Tailândia. O primeiro-ministro do país, Abhisit Vejjajiva, fez um pronunciamento nacional na televisão hoje em tom desafiador. Ele disse que seu governo não vai se curvar aos manifestantes que exigem sua renúncia. Desde quinta-feira, quando começou a onda de violência, explosões e conflitos nas ruas da capital já mataram 22 pessoas e feriram mais de 170.

AE-AP, Agência Estado

15 Maio 2010 | 12h44

Hoje soldados fecharam ruas que levam à região de Ratchaprarop (rico distrito comercial ao norte da principal zona de protesto) com barreiras de arame farpado e colocaram placas informando que é uma "Zona de tiroteio" e "Área restrita. Não entre". As linhas telefônicas e a eletricidade foram cortadas na região onde os manifestantes estão acampados há quase dois meses.

Em sua primeira aparição desde o começo dos conflitos, Vejjajiva defendeu as ações do Exército. "O governo precisa seguir adiante. Nós não podemos recuar porque estamos fazendo coisas que vão beneficiar todo o país. Não podemos permitir que esses cidadãos que infringem a lei e montam milícias armadas intimidem o governo", disse. Seu plano é "retornar à normalidade em Bangcoc com o mínimo de perdas". O problema, segundo o primeiro-ministro, é que alguns "terroristas" se infiltraram entre os manifestantes, conhecidos como "camisas vermelhas". "Eu insisto que, se nós queremos dar fim às mortes, a única maneira é com o fim dos protestos". Na semana passada Vejjajiva cancelou um plano de antecipar as eleições porque os manifestante se recusaram a dispersar.

Hoje, um tribunal de Justiça emitiu mandados de prisão de seis meses para 27 manifestantes capturados. Este é o terceiro dia de confrontos entre o Exército tailandês e os "camisas vermelhas", fazendo as ruas se tornarem verdadeiros campos de batalha. Os opositores reclamam que o governo de coalizão de Vejjajiva chegou ao poder manipulando o Judiciário e com o apoio do poderoso Exército, e que a administração não dá atenção aos pobres. O aumento da violência eleva as preocupações de que a Tailândia - antigo centro turístico e que promove sua tranquila cultura como sendo a "terra dos sorrisos" - seja abalada pela instabilidade.

Em uma mensagem de Nova York, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, solicitou que os dois lados "façam tudo o possível para evitar mais violência e perda de vidas". A Embaixada dos Estados Unidos deve emitir um alerta para que seus cidadãos evitem viajar para Bangcoc.

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