Número de mortos deve chegar à casa dos milhares

Nenhuma autoridade teve coragem de estimar até agora o número de vítimas do maior atentado terrorista nos Estados Unidos. O número de mortos está na casa dos milhares e a mídia já chegou a dizer que os ataques foram muito piores do que o bombardeio japonês em 1941 à base militar de Pearl Harbor, no Havaí, quando pouco menos de 2,4 mil pessoas morreram. Cerca de 50 mil pessoas trabalham nas duas torres do World Trade Center e nos outro cinco prédios do complexo, que incluem também um hotel.Nova York está completamente parada e em estado de choque. Desde que as torres desmoronaram (após a colisão de dois aviões de passageiros), o metrô foi fechado, assim como todas as pontes e túneis que ligam Manhattan ao Brooklyn, ao Queens, ao Bronx e a New Jersey. Telefones estão mudos (geralmente por conta de linhas congestionadas em várias regiões da ilha). Falta luz em todo o Financial District, a região mais atingida pela tragédia. Os canos de água de toda a região sul da ilha estão afetados pela queda do World Trade Center, o que está levando as pessoas a sair para comprar água. A pressão da água está fraca em vários bairros.Dezenas de milhares de pessoas fugiram a pé do Financial District, que fica na ponta sul da ilha. O centro financeiro está completamente coberto de poeira e fumaça. A esta hora, todos os edifícios ao sul da Canal Street, na região de Chinatown, estão sendo evacuados. O que se vê em todas as regiões da cidade são multidões de pessoas vagando pelas ruas, desnorteadas, sem saber o que fazer. Qualquer barulho de avião militar sobre a cidade já dá arrepios em todo mundo.Os hospitais fazem nas ruas as triagens dos pacientes, que chegam às centenas. Pedidos de doação de sangue foram atendidos por milhares de pessoas, que fazem fila para ajudar no tratamento das vítimas. Mesmo em regiões afastadas da área (com a região da First Avenue, onde ficam muitos hospitais), o barulho das ambulâncias é assustador. O clima de choque toma conta da população, com muitas pessoas desorientadas - principalmente moradores de bairros como Brooklyn, Bronx e Queens, que não podem ir para suas casas e não estão conseguindo fazer contato com parentes e amigos. Várias pessoas choram em desespero por não conseguir ter notícias sobre conhecidos que trabalham ou moram perto das torres. O prefeito Rudolph Giuliani, em entrevistas pelo telefone para as emissoras de TV, disse que está muito triste e que conhecia muitos dos bombeiros e policiais que estavam na torre norte do World Trade Center na hora em que ela ruiu (a segunda torre a desabar). O prefeito disse que está em contato com autoridades federais, assim como governador George Pataki, que fechou as fronteiras do estado de Nova York. As emissoras de TV começaram a mostrar no início da tarde imagens das ruas ao redor do World Trade Center, completamente destruídas. Dezenas de carros do corpo de bombeiros aparecem cobertos por pedaços de concreto e poeira. A paisagem é de destruição completa.

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