Número de mortos em acidente aéreo na Itália sobe para 118

Não há sobreviventes entre os 110 passageiros do MD-80 da SAS- Scandinavian Airlines System, na maioria italianos, e os 4 do pequeno Cessna que se chocaram hoje na pista de decolagem do aeroporto Linate de Milão, no norte da Itália. Além deles, também morreram no acidente quatro pessoas que trabalhavam no hangar que foi atingido pelo avião. O vôo SK 686 partiu hoje às 7h54 com destino a Copenhague. Entre os passageiros do Cessna CJ2-Citation, que ia para Paris, estava o presidente de uma conhecida empresa de alimentos italiana, a Star, Luca Fossati. Segundo se comentou, o vôo teria sido organizado para tentar vender o Cessna a Fossati. Há outros quatro mortos, funcionários do hangar onde o avião da SAS bateu depois do impacto com o Cessna. Com base nas primeiras investigações, o Cessna partiu da área exclusiva para vôos privados e pegou a pista da direita - que não deveria -, ao invés da pista esquerda. Poucos metros depois havia um primeiro sinal vermelho, que o piloto não viu. Logo adiante havia outro sinal vermelho, que também não foi visto, provavelmente por causa da forte neblina. Sem saber, o piloto se dirigia à pista de decolagem do MD-80. De acordo com informações do aeroporto, houve um problema de comunicação entre o piloto e a torre de controle em terra. Poucos segundos depois o Cessna entrou na pista de decolagem, enquanto o MD-80 da SAS estava levantando vôo. O impacto foi terrível. O MD-80 saiu da pista, deu uma volta de 45 graus e foi colidir com o hangar onde são separadas as bagagens, partindo-se em três. Dentro do hangar, que ficou destruído, havia cerca de 20 pessoas, quatro das quais morreram. Testemunhas falam de três violentas explosões, seguidas por muitas chamas e fumaça. "O avião estava em fase de decolagem, e portanto, cheio de combustível. Uma asa quebrou e dali começou a vazar querosene. Na colisão com o Cessna, o avião da SAS perdeu parte do motor", comentou um funcionário do aeroporto. Os parentes das vítimas não conseguem entender como um avião pode ter entrado na pista quando o outro estava prestes a decolar. Foi levantada até a hipótese de um ataque terrorista, logo excluída pelas autoridades italianas. As causas do mais grave acidente aéreo já registrado nos aeroportos milaneses teriam sido uma combinação de falha humana e densa neblina. No entanto, na opinião de dirigentes do sindicato dos pilotos, as condições meteorológicas não teriam sido determinantes. O sindicato põe a culpa nas más condições de operação no aeroporto de Linate. Não há controle do tráfego aéreo por instrumentos, afirmam os pilotos. O radar terrestre não funciona há um ano. O diretor do aeroporto também não acredita que a neblina tenha sido um fator determinante, pois os pilotos estão habituados com essas condições de tempo nos aeroportos milaneses. E aponta o radar quebrado e o erro do piloto do Cessna em assinalar sua posição à torre como as causas principais. Osvaldo Gambino, representante das companhias aéreas de Linate acredita, porém, que se trata de uma grave falha humana, porque a ausência de radar não é necessariamente determinante. "Quando o radar não funciona, são ativadas outras medidas se a visibilidade for baixa", disse Gambino. Ele admitiu, porém, que se o radar estivesse funcionando, talvez o acidente tivesse sido evitado. A caixa-preta, que contém os registros do vôo, está sendo examinada e poderá ajudar a esclarecer o que realmente aconteceu. Na pista de Linate já ocorreram acidentes, sem vítimas, em 1984 e 1985. Outros foram evitados no último minuto, em 1987, 1995 e 1997. O aeroporto fechou hoje. A reabertura está prevista para amanhã.

Agencia Estado,

08 Outubro 2001 | 19h14

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