Mark RALSTON / AFP
Mark RALSTON / AFP

Número de mortos em ataque a tiros no Texas sobe para 22

Polícia de El Paso informou que duas vítimas que estavam internadas em hospital morreram nesta segunda; após massacre, cidade está no centro de discussão sobre armas e imigração nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 15h11
Atualizado 06 de agosto de 2019 | 12h03

EL PASO, ESTADOS UNIDOS - O número de mortos em um ataque com arma de fogo na cidade de El Paso, no Texas, subiu para 22 neste segunda-feira, 5, depois que dois feridos morreram em um hospital da cidade, informou a polícia. 

"Pouco depois das 10 horas (13 horas de Brasília) morreu outra vítima. O total agora é de 22 mortos", escreveu no Twitter a polícia texana. O texto foi publicado horas depois de outra mensagem similar confirmar a 21ª morte no ataque.

Ainda não foram divulgadas as identidades das vítimas do ataque cometido por Patrick Crusius, de 21 anos, um supremacista branco que foi detido pelas autoridades. Das 25 pessoas feridas na ação, 5 estão em condições estáveis e 1 em estado grave.

Promotores do Texas acusaram Crusius de ser o autor do ataque e disseram que o Estado buscará a pena de morte se ele for considerado culpado. Os avós dele, com os quais o jovem morou até recentemente, disseram que ficaram devastados pelo ataque. 

"Ele morou conosco em nossa casa em Allen, no Texas, enquanto cursava o ensino médio", afirmaram em comunicado lido por um amigo da família para repórteres em frente à casa da família no domingo. "Ele saiu de nossa casa há seis semanas, mas passou algumas noites aqui enquanto estávamos fora da cidade."

Não ficou claro se Crusius tem um advogado ou quando uma audiência de fiança ou outras aparições judiciais ocorrerão. O chefe de polícia de El Paso, Greg Allen, disse que o suspeito está cooperando com as investigações. "Ele basicamente não está evitando qualquer pergunta", disse Allen à imprensa, sem dar mais detalhes sobre as declarações do suspeito.

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Armas e imigração

O artista Manuel Oliver planejava apresentar seu mural em um evento comunitário de El Paso no domingo, sua obra mais recente para homenagear o filho assassinado.

O jovem, que foi morto a tiros com 16 outros em uma escola de Parkland, na Flórida, em 2018, faria 19 no domingo, disse Oliver. Joaquin Oliver era discretamente dedicado à causa dos imigrantes, contou seu pai, que escolheu El Paso para apresentar o trabalho por ver a cidade fronteiriça como uma história de sucesso da imigração.

Mas 20 pessoas foram assassinadas em um supermercado Walmart no sábado, transformando o encontro de domingo no Las Americas Immigrant Advocacy Center em outra vigília trágica.

“Não me surpreendeu, e não pode surpreender ninguém porque fizemos muito pouco para impedir que isso acontecesse”, afirmou Oliver, que se tornou um ativista contra a violência com armas após o massacre na escola de seu filho.

No centro de questões polêmicas

O massacre colocou a cidade essencialmente pacífica e majoritariamente hispânica de cerca de 684 mil habitantes na intersecção de duas das questões mais politicamente voláteis da nação: a imigração e a violência com armas.

El Paso se localiza no extremo oeste do Estado, pouco distante do Rio Grande em relação a Ciudad Juárez, e é um dos pontos de entrada mais movimentados dos EUA para quem vem do México.

Embora Ciudad Juárez seja conhecida como um centro de violência relacionada aos cartéis de droga e ao contrabando, El Paso é avaliada em vários sites como uma das cidades mais seguras dos EUA e está entre os melhores lugares para se aposentar ou criar uma família. Segundo a rede KVIA, filiada local da ABC, ela tem uma média de 16 assassinatos por ano.

Em outra vigília realizada no domingo, centenas de membros da comunidade de El Paso prantearam juntos no Parque Esportivo do Condado. Entre aqueles por quem rezaram estavam Guillermo “Memo” Garcia, de 35 anos, e sua esposa, Jessica Coca Garcia, ambos feridos no sábado quando realizavam uma arrecadação de fundos para o time de futebol de sua filha diante do Walmart.

Opositores das políticas de Trump criticam as condições das instalações de detenção lotadas da área e chamam atenção para as condições perigosas de Ciudad Juárez, para onde milhares de aspirantes a imigrantes foram enviados para esperar o desfecho de suas audiências em tribunais norte-americanos. / AFP, AP, EFE e REUTERS

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