AP Photo/Farah Abdi Warsameh
AP Photo/Farah Abdi Warsameh

Número de mortos em atentado na capital da Somália passa de 300

Fácil deslocamento de terroristas pela capital levanta suspeitas sobre influência de jihadistas no governo somali

O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2017 | 10h10
Atualizado 16 Outubro 2017 | 20h42

MOGADÍSCIO - Equipes de emergência e mais de 500 soldados do Exército da Somália faziam nesta segunda-feira, 16, trabalhos de resgate para tentar encontrar sobreviventes entre os escombros dos edifícios destruídos nos atentados de sábado na capital, Mogadíscio, que, segundo o último balanço, contabilizavam 315 mortos.

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As famílias se amontoavam nas áreas próximas das explosões e nos hospitais com a esperança de encontrar entre os mais de 400 feridos seus parentes desaparecidos ou pelo menos conseguir identificar alguns dos corpos. A força do ataque fez com que vários ficassem carbonizados ou mutilados.

O governo da Somália atribuiu a ação ao grupo extremista Al-Shabab, vinculado à Al-Qaeda, mas até hoje noite nenhuma organização reivindicou sua autoria. 

Carros-bomba, ataques com granadas, assassinatos e sequestros por insurgentes do Al-Shabab são bastante regulares na Somália, que praticamente não tem uma semana sem um ataque letal. No entanto, o ataque duplo de sábado foi atípico até para os padrões somalis devido a sua escala e brutalidade. Alguns somalis estão se referindo a ele como sua versão do 11 de Setembro. 

Os motoristas levaram os caminhões abarrotados de explosivos e foram capazes de passar por vários postos de checagem em uma estrada fortemente patrulhada. O fácil acesso dos terroristas levantou questões sobre o quão membros da Al-Shabab estão infiltrados no governo. 

Os caminhões-bomba foram detonados próximos de um tanque de combustível em um movimentado cruzamento da capital somali. As explosões causaram uma grande bola de fogo, potencializada pelos vários carros que passavam pelo cruzamento ou estavam estacionados na região. No local, há vários hotéis e um movimentado mercado popular, cercado de milhares de vendedores ambulantes, o que ajudaria a explicar o alto número de vítimas. 

Especialistas em contraterrorismo afirmaram que o tamanho do ataque sugere que o grupo recebeu ajuda da Al-Qaeda no Iêmen, conhecida por sua proeza com explosivos. Segundo os especialistas, a ação deve atrair uma forte resposta do governo, motivo pelo qual o grupo ainda não reivindicou a responsabilidade por ele. Para eles, a ação foi um “erro de cálculo” do grupo, que dará respaldo popular a qualquer resposta do governo.  

Homenagem

A Torre Eiffel, em Paris, apagou suas luzes nesta noite em homenagem às vítimas do atentado em Mogadíscio, informou a prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo, em sua conta no Twitter. / NYT, AP e AFP

 

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