Número de mortos em Darfur foi inventado, diz Bashir

Presidente sudanês afirma que cifra é 'menos de um décimo' do que foi dito; ONU estima 300 mil

BBC Brasil, BBC

12 de maio de 2009 | 17h06

Em entrevista exclusiva à BBC, o presidente do Sudão, Omar Al-Bashir, afirmou que o número de pessoas que já morreram no conflito em Darfur é "menos de um décimo do que tem sido dito". Falando no programa HardTalk, do canal de TV BBC World, Bashir disse que a cifra de 300 mil mortos no conflito na região no oeste sudanês, estimada pela ONU, foi inventada e é parte de uma campanha contra o seu governo.

 

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O presidente sudanês também disse que as acusações são uma tentativa neocolonialista de se apropriar do Sudão. Essa foi a primeira entrevista do líder sudanês a um canal de TV desde que o Tribunal Criminal Internacional emitiu um mandato de prisão contra ele, em 4 de março, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Bashir também voltar a negar as alegações feitas pela ONU e pela comunidade internacional de que seus militares tenham cometido crimes contra a população civil de Darfur. "Desafio qualquer um a me mostrar evidência provando que o Exército sudanês atacou e matou civis em Darfur."

Para Bashir, os relatos sobre a região de Darfur não seriam verdadeiros e que o que ocorre na região "é uma insurgência. O Estado tem a responsabilidade de combater os rebeldes". "Nunca combatemos ou matamos nossos cidadãos", completou.

O conflito em Darfur - região pouco desenvolvida, mas rica em petróleo no oeste sudanês - começou no início de 2003, quando milícias árabes e tropas do governo lançaram violentas campanhas contra grupos rebeldes negros. Além dos cerca de 300 mil mortos, a ONU calcula que mais de dois milhões de pessoas tenham sido obrigadas a deixar suas casas em Darfur nesses seis anos.

 

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