Número de mortos em Mianmar supera os 28 mil, diz TV estatal

Relatório não deu mais detalhes, mas disse que 1.403 pessoas ficaram feridas após a tempestade de 2 maio

Efe e Reuters

11 de maio de 2008 | 09h36

O número de mortos do ciclone Nargis em Mianmar alcançou os 28.458, como 33.416 desaparecidos, reportou neste domingo, 11, a televisão estatal. O breve relatório não deu mais detalhes, exceto para dizer que 1.403 pessoas ficaram feridas após a tempestade de 2 maio.  Veja também:ONU retoma ajuda humanitária para sobreviventes em MianmarFrança prepara envio de navio de ajuda à Mianmar A ajuda internacional começou neste domingo, 11, a chegar com mais facilidade a Mianmar (antiga Birmânia), mas a Junta Militar birmanesa continua vetando a entrada de voluntários estrangeiros no país e distribuindo, segundo seu próprio critério, as doações. Um barco que transportava material de ajuda da Cruz Vermelha destinado às vítimas do Nargis afundo neste domingo, 11, em Mianmar, após chocar-se com um tronco de árvore no delta de Irrawaddy, segundo a agência France Press. Não houve feridos, disse a Cruz Vermelha.  Com as estradas já liberadas dos escombros e árvores caídas, dezenas de caminhões com material de emergência para os desabrigados seguiram para a região do delta do rio Irrawaddy, a mais afetada pelo ciclone Nargis, que assolou o sul de Mianmar há uma semana. O regime permitiu a distribuição das 38 toneladas de biscoitos energéticos confiscados na terça-feira, 6, do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) informou que um avião com 35 toneladas de material de emergência chegou a Yangun. Várias organizações internacionais denunciaram os impedimentos das autoridades birmanesas para conceder vistos ao pessoal humanitário, pois o regime alega que não precisa de voluntários estrangeiros. Apesar disso, o Governo da Austrália prometeu hoje mais US$ 24 milhões para as vítimas, que será divido igualmente entre o fundo de emergência da ONU e um grupo de ONGs. Segundo cálculos das Nações Unidas, são necessários pelo menos US$ 178 milhões para atender os 1,5 milhão de vítimas durante os próximos três meses. O ministro de Assuntos Exteriores australiano, Stephen Smith, recomendou que o regime birmanês suspenda as restrições à entrada de voluntários estrangeiros, pois, mudando sua atual postura, as vítimas poderiam receber muito mais assistência da comunidade internacional. Por enquanto, o PMA e a ONG Visão Mundial Austrália receberam autorização das autoridades de Mianmar para que parte de seu pessoal entre no país. A organização Oxfam Internacional advertiu que os 1,5 milhão de desabrigados correm sério perigo de ficar doentes, se não receberem atendimento médico e água potável urgentemente. O grupo destacou que há "todos os fatores" propícios para uma verdadeira catástrofe sanitária, e previu que o número de mortos superará os 100 mil. Caso as autoridades não resolvam a atual situação, esse número pode passar de 1 milhão nos próximos meses. Enquanto isso, a situação no delta do rio Irrawaddy é desoladora, segundo as testemunhas, que relatam cenas de corpos humanos e de animais ainda amontoados nos mangues, e dezenas de milhares de pessoas vagando pelas ruas com móveis e utensílios. Até o momento, a Junta Militar admitiu a existência de mais de 23 mil vítimas fatais, 37 mil desaparecidos e 1,5 milhão de desabrigados no sul do país, dos quais 260 mil estão em campos de refugiados. No entanto, o último relatório do Escritório de Assistência Humanitária (Ocha) da ONU eleva o número de mortos entre 63 mil e 102 mil, para 220 mil o de desaparecidos e para quase 2 milhões a quantidade de desabrigados. Através de seu aparelho de propaganda, a Junta Militar birmanesa continua escondendo da população a magnitude do desastre. Os meios de comunicação, controlados pelo Ministério da Informação, só divulgam imagens do líder do regime, Than Shwe, e outros generais ajudando os desabrigados. A imprensa loca não mostra nem menciona os vários corpos que estão boiando no delta do rio Irrawaddy. Uma semana após a passagem do Nargis, a Junta Militar não deu ouvidos à oposição e realizou neste sábado, 10, nas regiões não afetadas pelo ciclone o plebiscito sobre o projeto constitucional apoiado pelos generais.

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