Issei Kato / Reuters
Issei Kato / Reuters

Número de mortos em naufrágio de navio sul-coreano passa de 100

Com a abertura de uma rota pelo casco da embarcação, resgate de corpos ficou mais fácil para envolvidos na busca

O Estado de S. Paulo,

22 de abril de 2014 | 08h38

(Atualizada às 12h) JINDO, COREIA DO SUL - O número de mortos no naufrágio do navio sul-coreano Sewol passou de 100 nesta terça-feira, 22, quando mais corpos puderam ser retirados da embarcação. O número oficial de mortos é de 121. Ainda há 181 desaparecidos.

Oficiais da Guarda Costeira carregavam os corpos recém-chegados cobertos com lençóis brancos de um bote a uma tenda na doca da ilha de Jindo, primeiro passo na identificação dos mortos. Dezenas de policiais vestidos com casacos verdes formavam um cordão em torno da doca enquanto os corpos chegavam.

Desde que os mergulhadores encontraram, no fim de semana, uma rota para entrar na embarcação tombada, o número de mortes tem aumentado. Quando não há identificação do corpo, detalhes como altura, tamanho do cabelo e roupas são colocados em um mural para as famílias que esperam por notícias.

As famílias ouvem silenciosamente do lado de fora enquanto um funcionário as informa sobre o que verão. Apenas parentes das vítimas podem entrar nos locais.

Por um momento, o silêncio e a tensão permanecem. Depois, vêm o choro angustiado, os soluços e os murmúrios. Durante quase uma semana eles não sabiam se estavam de luto ou não e, de repente, parecem estar sendo despedaçados por dentro. "Como vou viver sem você? Como sua mãe vai viver sem você?", lamenta, chorando, uma mulher.

"Quero minha filha de volta!", grita uma mulher, chamando pelo nome de sua filha. Um homem corre para acudi-la e a ajuda a se levantar, para tirá-la dali. Famílias que sonhavam com resgates milagrosos agora simplesmente esperam que o corpo de seus entes queridos sejam encontrados o mais rápido possível, antes que o oceano faça mais estragos.

"No começo, eu só estava muito triste, mas agora parece uma espera infinita", disse Woo Dong-suk, um trabalhador de construção e tio de um dos estudantes. "Já passou muito tempo. Os corpos devem estar se desfazendo. O que os parentes querem agora é encontrar os corpos antes que eles se decomponham muito."

Dos 476 passageiros, 325 eram estudantes de um colégio em Ansan, cidade próxima de Seul, que estavam a caminho da ilha turística de Jeju, no sul do país.

O capitão do navio, Lee Joon-seok, e dois integrantes da tripulação foram presos no sábado 19 acusados de negligenciar e abandonar as pessoas na embarcação. O promotor Yang Jung Yi disse que um tribunal emitiu mandados de prisão para outros quatro integrantes da tripulação que a polícia havia prendido um dia antes. Mais dois tripulantes foram presos nesta terça.

Lee inicialmente disse aos passageiros para ficarem em suas cabines e esperou mais de meia hora antes de anunciar uma ordem de retirada enquanto o Sewol afundava. Àquela altura, a embarcação tombara tanto que acredita-se que muitos passageiros tenham ficado presos. / AP

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