Número de mortos em naufrágio no Egito pode passar de mil

O navio de passageiro e balsa de veículos egípcio Al Salaam Boccacio 98 naufragou nesta sexta-feira de madrugada, no Mar Vermelho, quando transportava mais de 1.400 pessoas de Duba, na costa saudita, para a cidade de Safaga, ao sul do Cairo. Até o início madrugada desta sexta-feira (horário local), várias embarcações e helicópteros que participavam dos esforços de resgate haviam recolhido apenas 263 sobreviventes em botes salva-vidas e 185 corpos. A chance de encontrar pessoas com vida diminui rapidamente por causa da baixa temperatura na região nesta época do ano. Local onde ocorreu o naufrágioA companhia proprietária do navio, a Al Salam Maritime Transport, informou ter resgatado entre 300 e 400 pessoas em uma de suas embarcações enviadas para o local da tragédia, mas essa informação não foi confirmada pelas autoridades egípcias.O número de pessoas a bordo ainda não está claro. A empresa informou que eram 1.272 passageiros e 99 tripulantes. No entanto, o porta-voz da presidência do Egito, Suleiman Awad, afirmou que havia a bordo 1.400 passageiros, dos quais 1.200 eram egípcios e 99 sauditas, e 98 tripulantes. Havia também mais de 100 pessoas de outras nacionalidades, incluindo sírios, sudaneses e palestinos.Os passageiros eram na grande maioria egípcios que trabalhavam na Arábia Saudita ou tinham prolongado sua estada no país depois da peregrinação a Meca, no mês passado. O navio também transportava 200 automóveis, 16 caminhões e cinco veículos de transporte de mercadorias.Foi o mais trágico acidente marítimo na história do Egito moderno. Não está claro ainda o motivo do naufrágio, mas o governo informou que o navio não tinha salva-vidas suficientes para todos os ocupantes, o que agravou a tragédia. A causa mais provável para o afundamento seria o mau tempo na região. Havia fortes ventos e ondas muito altas quando o Al Salaam zarpou de Duba, às 19h30 de quinta-feira. Deveria chegar a Safaga, situada a 180 quilômetros, por volta de 2h30. Pouco depois de partir, porém, o navio desapareceu dos radares e não emitiu nenhum pedido de socorro para as autoridades portuárias. Apenas se sabe que o comandante entrou em contato com a balsa Saint Catherine avisando que o navio corria o risco de afundar. Esse tipo de navio, disseram especialistas, é do tipo que pode afundar rapidamente se a água entrar por uma das comportas por onde entram os veículos. Isso aconteceu com balsas na Bélgica, em 1987, e na Estônia, em 1994.Não há indicações de um ataque ou de colisão com outra embarcação. O presidente do Egito, Hosni Mubarak, ordenou uma investigação urgente, e indicou que houve falhas no serviço de salvamento. "A rapidez do naufrágio e o fato de que não havia a bordo um número suficiente de botes salva-vidas confirmam que havia um problema, mas não podemos prejulgar os resultados da investigação", disse o porta-voz de Mubarak, Awad, na TV egípcia.Um fato grave foi a recusa inicial das autoridades portuárias egípcias em aceitar a oferta de ajuda da Marinha britânica, que tinha o navio de guerra HMS Bulwark no Mar Vermelho. o HMS Bulwark tinha desviado o rumo para ajudar no socorro e deu meia-volta após a recusa egípcia. Depois, as autoridades egípcias mudaram de idéia e solicitaram ajuda do navio britânico, que partiu para a área do naufrágio.O Al Salam 98 foi construído em 1971, na Itália, e reformado em 1991. Tinha 118 metros de comprimento, capacidade para 2.500 pessoas e pesava 11.779 toneladas, segundo seus proprietários. Um dos dirigentes da empresa proprietária, Andrea Odon, afirmou que o número de pessoas a bordo era inferior à capacidade do navio.

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