Número de mortos em prédio de Bangladesh supera 400

Mais de 400 pessoas morreram por causa do desabamento de um complexo fabril na semana passada em Bangladesh, enquanto outras 149 ainda são dadas como desaparecidas, segundo afirmou o Exército do país nesta quarta-feira.

Agência Estado

01 de maio de 2013 | 17h17

Um porta-voz militar disse que o número de mortos do pior desastre industrial do país chega agora a 402. Mais cedo, um general do Exército disse que as autoridades locais haviam elaborado uma lista de 149 pessoas que ainda estão desaparecidas.

O major general Chowdhury Hasan Suhrawardy disse a jornalistas que as autoridades locais elaboraram uma lista de nomes com a ajuda de parentes de pessoas desaparecidas após o desastre da última quarta-feira. "Essa lista tem 149 nomes", disse ele.

Enquanto isso, milhares de trabalhadores marcharam pelo centro da capital Daca nesta quarta-feira, 1º de maio, para exigir mais segurança no trabalho. Os manifestantes também pediam pena de morte para o dono do edifício que desabou na semana passada.

A manifestação foi conduzida por trabalhadores a pé, caminhonetes e motocicletas pelo centro de Daca. Enquanto andavam, os participantes da marcha acenavam a bandeira nacional e cartazes, tocavam tambores e gritavam "ação direta!" e "pena de morte!". Com um alto-falante na parte traseira de um caminhão, um dos manifestantes disse para o grupo: "Meu irmão morreu. Minha irmã morreu. O sangue deles não será desperdiçado".

Os protestos do 1º de Maio, tradicionalmente uma oportunidade para os trabalhadores da nação do sul da Ásia compartilharem suas dificuldades, assumiram um grande importância após o desastre de 24 de abril. Nesta data, um edifício de oito andares desabou no subúrbio de Daca, apenas cinco meses depois de um incêndio matar 112 pessoas em outra fábrica de roupas do país. A indústria têxtil gera uma receita de US$ 20 bilhões por ano em Bangladesh, sendo uma das principais atividades do país.

O dono do prédio que desabou na semana passada, Mohammed Sohel Rana, está preso e sendo interrogado pela polícia. Ele deve ser acusado de negligência, construção ilegal e trabalhos forçados, o que pode gerar uma pena de até sete anos de cadeia. As autoridades ainda não afirmaram se ele será investigado por crimes mais sérios.

A União Europeia disse nesta terça-feira que está considerando adotar sanções econômicas contra Bangladesh, incluindo o acesso ilimitado e sem tarifas que os produtores do país tem ao mercado europeu. O objetivo é "incentivar" uma gestão responsável na indústria têxtil. Em comunicado, a comissário de Relações Exteriores da UE, Catherine Ashton, e o comissário de Comércio do bloco, Karel de Gucht, pediram que as autoridades de Bangladesh hajam imediatamente para garantir que as fábricas cumpram padrões internacionais sobre segurança do trabalho.

A companhia canadense Loblaw Inc, cujas roupas eram fabricadas no prédio, disse que vai garantir que as vítimas e suas famílias "recebem ajuda agora e no futuro". A varejista norte-americana Walmart disse que nenhuma das suas marcas tinha permissão para ser fabricado no local, mas que está investigando se havia uma produção ilegal ali.

Rana tinha permissão para construir um prédio de cinco andares, mas acrescentou mais três pavimentos ilegalmente. Quando surgiram enormes rachaduras no prédio, um dia antes do desabamento, eles disse aos trabalhadores do local que a construção era seguro e eles deveriam voltar ao serviço. Trabalhadores das equipes de resgate estimam que o prédio se transformou em 600 toneladas de escombro, das quais cerca de 350 toneladas já foram retiradas do local. As informações são da Associated Press.

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