Ernesto Benavides/AFP
Ernesto Benavides/AFP

Número de mortos em protestos antimineradora no Peru sobe para 5

Manifestações são contra instalação de mineradora em Cajamarca; líder regional chamou Humala de 'irresponsável'

estadão.com.br,

05 de julho de 2012 | 16h17

LIMA - A morte de um ativista, baleado enquanto protestava contra a instalação de uma mineradora em Cajamarca, no Peru, elevou, nesta quinta-feira, para cinco o número de mortos nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança ocorridos entre e terça e a quarta-feira na região, onde há três dias vigora um estado de emergência imposto pelo Executivo.

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A morte foi confirmada pelo presidente regional de Cajamarca, Gregorio Santos, que qualifica a maneira como o governo de Ollanta Humala reagiu às recentes manifestações de "irresponsável".

Na quarta-feira, outro ativista morreu durante um protesto ocorrido em Bambamarca que também foi reprimido com violência pelas autoridades peruanas.

Entidades sociais e moradores locais temem que o Projeto Minas Conga - avaliado em US$ 4,8 bilhões, financiados quase totalmente pela empresa americana Newmont - prejudique fontes de água da região. Desde novembro, o projeto estava parado, após uma sucessão de protestos. Há quase duas semanas, porém, após a mineradora Yanacocha - cujo capital pertence maioritariamente à companhia estrangeira - comprometer-se em preservar lagunas que secariam em virtude da extração de ouro e cobre e prometer contrapartidas sociais, o governo Humala concordou com a extração dos minerais na região.O diretor de saúde de Cajamarca, Reinaldo Núñez Campos, afirmou em uma rádio local que José Antonio Sánchez Huamán, de 29 anos, foi atingido por um disparo na boca durante o protesto da terça-feira, em Celedín, e, desde então, estava em coma. Segundo o funcionário, o manifestante morreu às 6h45 locais (8h45 em Brasília).

"A violência aumentou o descontentamento social - uma responsabilidade política que o gabinete e o senhor Ollanta Humala têm de assumir", declarou o presidente regional de Cajamarca também a uma emissora de rádio. "Quando alguém está incapacitado e é incompetente para chegar à população, recorre à força, às armas, ao fuzil", disse.

Santos tem usado o Twitter para pedir ajudas específicas a feridos nos confrontos - que, segundo ele, chegaram a 37 - e criticar a repressão determinada pelo Executivo federal. "São cinco as vítimas do governo OH (Ollanta Humala)", escreveu o presidente regional ao confirmar a morte de Sánchez.

Até o momento, Lima não emitiu nenhum comentário sobre as críticas ou as mortes. Diversos ativistas foram detidos esta semana, entre eles o ex-padre Marco Arana, que já foi libertado e denunciou ter sido agredido pelas autoridades dentro do posto policial onde esteve preso.

Com Reuters e Efe

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