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Número de mortos em protestos na China sobe para 184

Muçulmanos uigures desafiam fechamento de mesquitas imposto pelo governo; feridos passam de mil

10 de julho de 2009 | 15h19

A agência de notícias estatal chinesa afirmou nesta sexta-feira, 10, que os confrontos entre chineses das comunidades han (chineses) e uigur (muçulmanos) deixaram 184 mortos, segundo o novo balanço anunciado pelo governo regional. Segundo a Xinhua, a maioria dos mortos é da etnia Han - 137 pessoas, entre eles 111 homens e 26 mulheres. mil pessoas foram feridas.

 

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Esta é a primeira vez que o governo divulga as etnias das vítimas da onda de violência que atingiu a cidade de Urumqi. Pequim diz que entre as outras mortes estão 46 uigures e um homem da etnia Hui. Segundo a Xinhua, entre os muçulmanos uigures estão 45 homens e uma mulher. Mais de mil pessoas ficaram feridas.

 

A tensão voltou a aumentar na capital da província de Xinjiang com a decisão do governo de fechar as mesquitas, o que impediu os uigures de fazer as orações de sexta-feira. Apesar da medida, muitos chineses muçulmanos foram às mesquitas e pelo menos um dos templos foi aberto depois de um grande grupo começar a rezar em seu pátio interno. A polícia antidistúrbios dispersou uma pequena manifestação de uigures que deixavam as orações, prendendo várias pessoas.

 

Os uigures estavam revoltados com o fechamento das mesquitas e consideram a decisão um reflexo da repressão religiosa a que se julgam submetidos. O governo determinou o fechamento dos templos em razão do temor de aglomerações de muçulmanos dias depois que grupos de uigures atacaram chineses han e entraram em choque com a polícia. Uma multidão se formou perto da Mesquita Branca, ao lado dos policiais armados com submetralhadoras, enquanto veículos blindados bloquearam as ruas no entorno do edifício e um helicóptero sobrevoava a região, no primeiro sinal de instabilidade dias após conflitos. Centenas de uigures lotaram a mesquita após autoridades terem decidido fechar os templos nos principal dia de orações para os muçulmanos para tentar minimizar as tensões.

 

Dezenas de milhares de uigures eram esperados para as rezas desta sexta-feira, mas as autoridades colocaram avisos nas mesquitas, instruindo as pessoas a permanecerem em casa. Responsáveis por assuntos religiosos da região de Xinjiang recomendaram aos crentes que cumpram o "salah" ou reza (um dos cinco pilares do Islã) em seus lares, algo que disseram ser habitual em tempos de pragas ou distúrbios sociais. Fontes afirmaram que a decisão foi uma medida de segurança pública. Desde domingo, a cidade vem sendo palco de violência entre membros das comunidades han (chineses) e uigur (muçulmanos), com pelo menos 156 mortos e mais de mil feridos.

 

Segundo a BBC, o clima na cidade é tenso, com milhares de soldados e policiais patrulhando bairros uigures e outros pontos do centro. As autoridades prometeram usar "punições severas" a quem se envolver em episódios de violência. Acredita-se que mais de 1,4 mil pessoas estejam detidas. Há informações de que milhares de pessoas - tanto hans como uigures - teriam começado a sair da cidade.

 

(Com Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo)

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