Número de mortos em queda de avião no Congo sobe para 38

Aeronave com 79 passageiros derrapa e destrói lojas e barracas em bairro ao lado da pista

Agências internacionais,

16 de abril de 2008 | 08h51

Capacetes azuis das Nações Unidas e bombeiros vasculhavam nesta quarta-feira, 16, os escombros do avião DC-9 que caiu na terça-feira em Goma, no leste da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire). O número oficial de mortos no acidente subiu para pelo menos 38, e mais de 100 pessoas ficaram feridas. A aeronave, da empresa particular local Hewa Bora, tentou decolar às 14h30 (9h30 horário de Brasília), mas não ganhou altitude. Minutos depois, caiu no bairro vizinho de Birere, sobre um emaranhado de lojas e barracas. O avião tinha como destino a capital do país, Kinshasa. Havia 79 passageiros e seis tripulantes, a maioria resgatada com vida. Porém havia ainda o temor de que o avião tenha matado pessoas que estavam na região atingida pela queda. Segundo o ministro dos Transportes, Charles Mwando Nsimba, o número de mortos deve aumentar. "Temos que levar em conta o fato de ainda haver corpos presos entre as ferragens", afirmou. A Cruz Vermelha informou que 113 feridos foram tratados em um hospital local e em clínicas. Na semana passada, a Hewa Bora e todas as empresas congolesas foram proibidas de voar no espaço aéreo da União Européia. O Congo é um dos países com maior índice de acidentes aéreos no mundo. Apenas no ano passado, caíram oito aviões. Em outubro, um Antonov caiu em Kinshasa e matou 50 pessoas. Segundo o governador da província em que ocorreu o acidente, Julien Mpaluku, a caixa-preta do avião foi localizada. Especialistas avaliarão o material para determinar a causa do acidente, afirmou. Sobreviventes Em meio ao caos que se tornou a operação de resgate, os relatos dos sobreviventes deram a dimensão do drama de quem escapou. "Eu estava na minha poltrona, com o cinto afivelado, quando houve um forte choque. Saltei do meu lugar e encontrei uma saída. Sentia o fogo atrás de mim", disse Frederic Katemo, que escapou pela cabine. Desiré Buhendwa contou que correu na direção de uma porta de emergência e pulou. "Quando caí no chão, vi que as chamas estavam aumentando", disse. Moradores contaram que havia escombros espalhados por todo o bairro. "O avião ficou partido ao meio. Há fogo por toda a parte. Muitas pessoas ajudaram com baldes de água", disse uma testemunha.  No Congo, os acidentes aéreos são freqüentes por dois motivos principais. Primeiro, porque aviões são um meio de transporte muito usado, num país que tem mais de 2,3 milhões de km², mas onde a maioria das estradas está destruída desde a guerra civil (1998-2003). Além disso, muitas companhias utilizam aviões sucateados, a maioria de fabricação russa.

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