Reuters / Andrew Biraj
Reuters / Andrew Biraj

Número de mortos em tragédia em Bangladesh passa de 400

Milhares protestam uma semana após colapso de centro industrial

Associated Press,

01 de maio de 2013 | 09h40

(Atualizada às 17h53) DHAKA - Passa de 400 o número de mortos após colapso de uma fábrica de tecidos na capital de Bangladesh, Dhaka, há uma semana. A cifra de vítimas do Rana Plaza, a pior tragédia industrial da história do país, ainda deve aumentar: o Exército afirma que 149 pessoas continuam desaparecidas.

Um porta-voz militar disse que o número de mortos chega agora a 402. Mais cedo, um general do Exército disse que as autoridades locais haviam elaborado uma lista de 149 pessoas que ainda estão desaparecidas.

O major general Chowdhury Hasan Suhrawardy disse a jornalistas que as autoridades locais elaboraram uma lista de nomes com a ajuda de parentes de pessoas desaparecidas após o desastre da última quarta-feira. "Essa lista tem 149 nomes", disse ele.

Centenas de milhares de manifestantes saíram nesta quarta-feira, 1, às ruas em várias regiões de Dhaka exigindo a aplicação da pena de morte contra o proprietário do prédio, que abrigava cinco fábricas de tecido – Bangladesh é um dos maiores exportadores do setor.

Funcionários disseram ter alertado superiores sobre rachaduras na estrutura do edifício antes da tragédia, mas foram ordenados a ignorá-las e continuar trabalhando. O dono do empreendimento está sob custódia da polícia. Mais de 2.500 pessoas ficaram feridas, segundo autoridades locais.

No Vaticano, o Papa Francisco afirmou que as vítimas eram submetidas a "trabalho escravo". "Não pagar um salário justo, não dar um emprego porque você está apenas olhando para o faturamento da empresa, para os lucros, isso vai contra Deus", disse o pontífice.

Equipes de socorro informaram que a queda do prédio formou um entulho de mais de 600 toneladas. Após uma semana de trabalhos de resgate, foi possível retirar cerca de 350 toneladas.

Kamrul Anan, representante de uma organização sindical do setor têxtil, pediu "a mais severa punição" contra os proprietários do Rana Plaza. Nos protestos, cartazes pediam que os responsáveis pelo local sejam "enforcados". Manifestantes também exigem leis impondo melhores condições de trabalho.

Na terça-feira à noite, o primeiro-ministro de Bangladesh, Sheik Hasina, fez um discurso no Parlamento sobre a tragédia. "Queria pedir aos trabalhadores que mantenham a cabeça fria e as fábricas em funcionamento, caso contrário acabarão perdendo seus empregos", afirmou o premiê.

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