REUTERS/Navesh Chitrakar
REUTERS/Navesh Chitrakar

Número de mortos no Nepal pode chegar a 10 mil, diz premiê

País intensifica ações de resgate e recuperação; agência da ONU diz que prazo para encontrar sobreviventes está se esgotando

Lisandra Paraguassu, Enviada Especial / Katmandu, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 09h22

(ATUALIZADA ÀS 11h) KATMANDU - O número de mortes no terremoto que atingiu o Nepal no último sábado já passa dos 5 mil e as estimativas do governo indicam que o total de vítimas pode chegar a 10 mil. As equipes de resgate começam a se aproximar nesta terça-feira, 28, das áreas mais devastadas do interior, entre a capital Katmandu e Pokhara, onde foi registrado o epicentro do terremoto. 

Relatos apontam para vilarejos inteiros devastados e centenas de vítimas ainda não contabilizadas. Desde segunda-feira, helicópteros passam o dia sobrevoando a capital nepalesa, trazendo centenas de vítimas das regiões mais afetadas. Em entrevista na manhã desta terça, o primeiro-ministro nepalês, Sushil Koirala, confirmou a estimativa de pelo menos 10 mil mortos e voltou a pedir doações da comunidade internacional, especialmente de água, remédios e tendas. 


"O governo está fazendo tudo o que pode em resgate e ajuda", afirmou o premiê, apesar de reconhecer que a administração pública foi pega de surpresa pela escala das necessidades e o atendimento no interior, especialmente nas vilas do sopé do Himalaia, prejudicado pela falta de equipamentos e pessoal de resgate treinado. 

O mau tempo nesta terça-feira prejudicou ainda mais o resgate. Durante boa parte da manhã e início da tarde choveu pesadamente da região afetada, impedindo o voo de helicópteros.  Em Katmandu, com a diminuição dos tremores, o número de pessoas acampadas nas ruas e em parques vem diminuindo, com muitos decidindo se arriscar e voltar para suas casas. 

O último tremor registrado foi às 5 horas da manhã no Nepal (21h15 de segunda-feira no Brasil). Nas últimas 36 horas, foram apenas três tremores secundários, o mais forte deles às 22 horas de segunda-feira (horário local), com magnitude de 4,8.

A maior parte das lojas continua fechada, mas a expectativa é de que os negócios comecem a voltar ao normal na quarta-feira, se os tremores continuarem fracos. A capital nepalesa já mostra um pouco mais do seu tradicional trânsito caótico, com mais pessoas se animando a sair de casa - muitas delas para voltar às suas cidades de origem e ver suas famílias. O aeroporto de Katmandu continua lotado, com uma boa parte dos turistas estrangeiros tentando ir embora e uma enorme quantidade de nepaleses que trabalham fora do país voltando para casa. 

Nandadevi Patel, de 35 anos, acampada com sua família no parque público de TudyKhel desde sábado, quer levar a família de volta para sua cidade de origem, Kalaya, no distrito de Bara. Assustada, ela não tem coragem de voltar para o apartamento no 5º andar onde morava com o marido e três filhos. "Queria ir embora agora, mas as passagens de ônibus estão muito caras", conta a dona de casa. Enquanto não pode ir, ficará com a família acampada no parque, apesar dos riscos. "A nossa casa ficou danificada. Não sei como ninguém não morreu", disse.

A prefeitura de Katmandu calcula que 4 mil casas na cidade foram destruídas, 11 mil estão condenadas e 7 mil foram parcialmente danificadas. 

Resgate. A equipe das Nações Unidas para a Avaliação e Coordenação em Casos de Desastre (UNDAC) alertou nesta terça-feira que o tempo para encontrar sobreviventes entre os escombros após o terremoto no Nepal está acabando.

Arjun Katoch, integrante da UNDAC, disse que é pouco provável que as pessoas possam suportar viver sob os escombros durante mais de 96 horas. O funcionário das Nações Unidas afirmou que a UNDAC está fazendo tudo o que está ao seu alcance para apoiar as tarefas do governo nepalês, e afirmou que levando em conta a passagem do tempo, existe a possibilidade de que em breve os trabalhos de resgate sejam finalizados.

"Mas isso é uma decisão do governo", ressaltou. No entanto, Katoch argumentou que no momento as autoridades devem começar a dar prioridade às tarefas de reconstrução e reabilitação. As ruas de Katmandu acumulam toneladas de escombros de edifícios desabados, o que mantém milhares de pessoas em acampamentos improvisados. / COM EFE

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