Número de mortos no Paraguai supera os 460

O segurança particular Ismael Alcaraz disse durante depoimento perante autoridades paraguaias que ele e seus companheiros receberam ordens para fechar as portas do supermercado Ycuá Bolaños minutos depois do início do trágico incêndio de domingo em Assunção. Nesta terça-feira, a Procuradoria-Geral do Estado informou oficialmente que o número de mortos subiu para 464, entre funcionários e clientes do estabelecimento. De acordo com a procuradoria, apenas 325 corpos puderam ser identificados até o momento. Os cadáveres estão sendo sepultados por familiares em cemitérios da capital paraguaia. Os 139 corpos carbonizados que não puderam ser identificados serão sepultados por ordem das autoridades locais, apesar da resistência das famílias. Testemunhas e sobreviventes asseguraram que dezenas de pessoas poderiam ter conseguido se salvar se as três únicas saídas não tivessem sido mantidas fechadas pelos seguranças. O promotor Edgar Sánchez, encarregado de investigar a tragédia, disse hoje que "ontem à noite indiciei os proprietários do supermercado, Juan Paiva e seu filho Daniel, e quatro seguranças. Todos foram acusados de homicídio culposo e omissão de socorro". De acordo com ele, o segurança Ismael Alcaraz, funcionário da empresa "Prevención", contratada pelo supermercado, "confessou ter recebido ordens via rádio para fechar as portas enquanto o fogo se propagava para evitar o roubo das mercadorias. Ele não soube dizer de quem veio a ordem". Alcaraz admitiu que normalmente recebia ordens dos gerentes de operação local, mas no dia não conseguiu identificar a voz de quem deu a ordem, prosseguiu o promotor.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.