AFP PHOTO / RONALDO SCHEMIDT
AFP PHOTO / RONALDO SCHEMIDT

Número de mortos em terremoto no México sobe para 96

Presidente Enrique Peña Nieto viajará hoje para a área afetada para supervisionar a entrega de ajuda; governo continua com as tarefas de emergência, como distribuição de alimentos e cobertores

O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2017 | 12h06

CIDADE DO MÉXICO - O número de mortos em razão do terremoto de 8,2 graus registrado na quinta-feira no México - o mais intenso em um século no país - subiu para 96 nesta segunda-feira, 11, após a confirmação de novas vítimas no Estado de Oaxaca, informou a presidência.

Eduardo Sánchez, porta-voz da presidência do México, confirmou o novo balanço, depois que o governador de Oaxaca informou na televisão local sobre as novas vítimas.

Ele também confirmou que o presidente Enrique Peña Nieto viajará nesta segunda-feira para a área afetada para supervisionar a entrega de ajuda.

O governo afirmou que as tarefas de emergência prosseguem, com a distribuição de milhares de pacotes de alimentos, mantimentos, leite, cobertores, entre outros, nas zonas afetadas, principalmente Chiapas e Oaxaca.

Muitos moradores, no entanto, que viram suas casas ficarem reduzidas a escombros ou prestes a desabar, estão desesperados e reclamam da lentidão da ajuda. "Continuamos sem água e sem luz, dormimos com as crianças do lado de fora, ninguém veio nos ajudar", declarou María de los Ángeles Orozco, mãe de uma das muitas famílias que perderam suas casas.

A família de Juana Luis improvisou uma casa sob uma grande árvore, depois que sua residência desabou em razão do terremoto. Recuperaram uma mesa, cadeiras e outros objetos, mas a situação é difícil.

"Antes comprávamos um frango por 70 pesos (US$ 4), agora vendem por 300 (US$ 17). Estou nervosa. Por mais que eu queira comprar quando meus filhos pedem, não posso", explicou a matriarca, sem conter as lágrimas.

Várias mulheres disputaram os pacotes entregues pelos militares, com biscoitos, arroz, leite em pó e café. Na pequena praça da Igreja de Martes Santo, várias famílias - com crianças e idosos - dormiram na rua, temendo voltar para suas casas. As pessoas evitam os albergues porque temem ser assaltadas.

Nas ruas de Juchitán se sucediam os cortejos fúnebres, sob o som de bandas, como é o costume da cidade, habitada principalmente por indígenas da etnia zapoteca. Entre as vítimas, está Manuela Villalobos, de 85 anos, que morreu em razão da queda do telhado de sua casa enquanto dormia. "Era uma mulher muito forte, cuidava para que as novas gerações conhecessem as tradições de zapotecas, inclusive os rituais funerários", lembrou seu neto Cristian Juarez, de 46 anos.

O terremoto ocorreu às 23h49 (locais) de quinta-feira, perto da localidade de Tonalá, em Chiapas, no Pacífico, a cerca de 100 km da costa. A Cidade do México, devastada em 1985 por um terremoto de 8,1 graus de magnitude que deixou mais de 10 mil mortos, chegou a sentir o tremor, mas não registrou grandes estragos. / AFP

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