Número de mortos no Timor Leste sobe para 24

Tropas estrangeiras esforçavam-se nesta sexta-feira para conter um prelúdio de guerra civil no Timor Leste depois da morte de mais um policial desarmado alvejado por soldados em Díli e de uma multidão ter incendiado uma casa cheia de crianças. O número de mortos em quatro dias de violência subiu para 24 nesta sexta-feira, informaram autoridades locais.Entretanto, num possível sinal de que uma solução política ainda pode ser encontrada, o ministro das Relações Exteriores do Timor Leste, José Ramos Horta, disse acreditar que "ainda é possível resolver" os problemas que desencadearam a violência."Apesar da situação, eu continuo em contato com as partes em conflito na esperança de chegar a uma solução pacífica e duradoura", declarou o chanceler em Díli.Soldados timorenses atacaram na quinta-feira a sede da polícia nacional, acusando-a de aliar-se a soldados renegados que engajaram-se em confrontos com o exército nas ruas de Díli, a capital timorense.Uma hora depois, conselheiros militares da Organização das Nações Unidas (ONU) negociaram um cessar-fogo por meio do qual os policiais entregaram suas armas e deixaram o edifício.No entanto, quando os policiais desarmados saíam, os soldados abriram fogo, matando dez e ferindo 26, disse Stephane Dujarric, porta-voz da ONU. O diretor de um hospital local disse que mais um policial não resistiu aos ferimentos e morreu durante a noite.Também na quinta-feira, uma multidão enfurecida incendiou diversas residências em um bairro de Díli, inclusive a do ministro de Segurança Interna Rogério Lobato.O ministro não estava em casa no momento do ataque, mas seis de seus familiares morreram carbonizados, inclusive duas crianças e três adolescentes.Nesta sexta as ruas de Díli estavam praticamente desertas. Disparos de armas de fogo eram ouvidos esporadicamente e à distância, aparentemente por causa do desembarque de soldados enviados por Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal.Apesar disso, Antonio Caleres, diretor do principal hospital de Díli, disse que um civil e um soldado morreram em episódios de violência ocorridos nesta sexta-feira. Mais cinco pessoas haviam morrido em outros incidentes registrados no início da semana.O Timor Leste tem sido afetado pela instabilidade desde a dispensa, no início do ano, de cerca de 600 soldados (ou 40% do exército local). Os militares dispensados queixam-se de discriminação e condições precárias no antigo trabalho.Os ex-soldados, que ameaçam desencadear um combate de guerrilha caso não sejam reincorporados, fugiram de Díli e posicionaram-se nas montanhas próximas da capital depois de violentos confrontos no mês passado.Trata-se da pior crise interna de segurança desde 1999, quando os eleitores timorenses votaram pela independência em um referendo patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU), transformando a ex-colônia portuguesa na mais jovem nação do planeta.Depois da aprovação da independência, forças indonésias e milícias pró-Jacarta promoveram episódios de violência que resultaram na morte de pelo menos 1.500 pessoas antes do posicionamento de uma força de paz estrangeira liderada pela Austrália.

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