Martin Bernetti / AFP
Martin Bernetti / AFP

Nº de mortos nos protestos no Chile vai a 15; presidente tenta achar saída para crise no país

Sebastián Piñera se reunirá com líderes dos partidos políticos para conter as manifestações que podem ser ampliadas com greves e novas mobilizações

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 09h40
Atualizado 22 de outubro de 2019 | 11h41

SANTIAGO - O número de mortos nos protestos violentos no Chile subiu para 15, três a mais que no balanço oficial anterior, e 2,6 mil pessoas foram presas, anunciou o governo nesta terça-feira, 22.

"Temos um total, a nível nacional, de 15 mortos, 11 deles na região metropolitana (...) associados a incêndios e saques, principalmente de centros comerciais", afirmou o subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla, em uma entrevista coletiva. Três pessoas que morreram em incidentes fora da capital foram vítimas de tiros, indicou ele.

Diante da situação no país, o presidente Sebastián Piñera tentará nesta terça encontrar uma saída para a explosão social que abala o Chile há cinco dias, com reuniões com os líderes dos partidos políticos, no momento em que os protestos podem ser ampliados com greves e novas mobilizações.  

Para Entender

Guia para entender os confrontos no Chile

Presidente diz que país está ‘em guerra’ diante das manifestações violentas; entenda o que está acontecendo

Mudança de tom

Abalado pela onda de violência mais grave registrada no Chile desde o retorno da democracia em 1990, Piñera, que no domingo afirmou que o país estava em guerra, mudou de tom.

"Vamos explorar e tentar avançar para um acordo social que nos permita a todos, unidos, nos aproximarmos com rapidez, eficácia e também com responsabilidade em busca de melhores soluções para os problemas que afetam os chilenos", afirmou ele na segunda-feira.

Os protestos começaram na sexta-feira motivados pelo aumento do preço das passagens do metrô em Santiago - medida que o governo suspendeu -, mas rapidamente foram ampliados para um movimento maior, que apresenta outras demandas sociais. 

Incêndios e saques

As manifestações provocaram confrontos com as forças de segurança, saques e incêndios em estabelecimentos comerciais. Santiago e a maioria das 16 regiões do Chile se encontram em estado de emergência e 10 mil militares e policiais foram mobilizados para impedir novos atos de violência nos protestos.

As autoridades temem um agravamento do cenário depois que Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), o sindicato mais influente do Chile, e outras 18 organizações sociais convocaram greves e mobilizações para quarta e quinta-feira em Santiago.

Os sindicatos de trabalhadores da saúde pública também anunciaram uma paralisação e protestos diante do Ministério da Saúde, no centro da capital chilena, durante a semana.

Clima de incerteza

Com um transporte público limitado, o comércio e os bancos funcionando de maneira parcial e os protestos nas ruas, os chilenos saíam de casa nesta terça para trabalhar ou estudar sob total incerteza.

Para Entender

Presidente do Chile é visto comendo pizza durante protestos e foto viraliza

Sebastián Piñera foi flagrado no sábado em uma pizzaria; segundo portal chileno, ele foi celebrar o aniversário do neto com a família

Assim como na segunda-feira, o metrô de Santiago, que recebe quase três milhões de pessoas diariamente, funcionará apenas com uma de suas sete linhas e com um auxílio de 500 ônibus públicos, que serão complementados por um serviço de táxis para atender a demanda.

As aulas foram suspensas em quase 50 bairros da capital chilena e algumas universidades cancelaram as atividades acadêmicas. Hospitais e policlínicas devem funcionar no horário normal.

A companhia aérea Latam, a maior da América Latina, foi obrigada a cancelar ou reprogramar centenas de voos no aeroporto de Santiago.

A onda de violência perdeu intensidade durante esta madrugada, a terceira noite com toque de recolher na capital chilena e outras oito regiões do país. Nos dias anteriores, os distúrbios terminaram com 2.200 detidos. / AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.