K. Parvez/ Reuters
K. Parvez/ Reuters

Número de mortos por atentado no Paquistão sobe para 105

Em visita ao país, Hillary Clinton defende que Estados Unidos querem que país asiático seja "democracia estável"

estadao.com.br,

29 de outubro de 2009 | 09h45

O atentado mais violento no Paquistão em dois anos causou pelo menos 105 mortes, informaram autoridades nesta quinta-feira, 29. Analistas de segurança consultados acreditam que o ataque ampliará a rejeição dos paquistaneses aos extremistas. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que Washington está comprometido a dar apoio ao Paquistão para que se transforme em "uma democracia estável", em uma visita oficial na qual sua embaixada anunciou projetos de ajuda ao país asiático no valor de mais de US$ 400 milhões.

 

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O atentado foi o mais mortífero no Paquistão desde 2007 e ocorreu enquanto a secretária de Estado visitava o país para oferecer apoio na luta contra a fortalecida insurgência da rede terrorista Al-Qaeda e do grupo extremista Taleban, em uma zona vizinha ao Afeganistão. Em discurso televisionado, a chefe da diplomacia americana disse que Washington apoia plenamente Islamabad na luta contra o terrorismo e reiterou que a relação entre os dois países abrange muitos outros âmbitos, além da segurança. Hillary avaliou que o Paquistão não tinha outra chance a não ser tomar uma abordagem mais agressiva contra os extremistas.

 

"Estamos comprometidos a ajudar para que se transformem em uma democracia estável e sustentável. Podemos contribuir para que passem da promessa de democracia à prática de democracia", disse, em um ato público com a presença de jovens representantes da sociedade civil na cidade de Lahore. Hillary estava na capital, Islamabad, no momento do ataque. Ela realizava uma reunião com autoridades locais quando a bomba explodiu em Peshawar.

 

O atentado realizado na quarta-feira utilizou um veículo carregado de explosivos em um mercado repleto de mulheres e crianças na cidade de Peshawar, noroeste do país. Entre os 105 mortos havia pelo menos 60 mulheres e crianças.

 

Hillary defendeu eliminar as diferenças que separam os dois países, gerar mais confiança e deixar de lado as opiniões adversas de alguns setores tanto no Paquistão quanto nos EUA. "O que temos em comum é mais importante do que o que nos divide. Uma minoria não pode determinar a força de nossa relação", argumentou.

 

A Embaixada dos EUA no Paquistão aproveitou a visita de Hillary a Lahore para anunciar uma série de projetos que serão financiados pelo governo americano, sobre os quais a secretária dialogou com as autoridades paquistanesas. Segundo vários comunicados, os EUA prometeram US$ 414 milhões para programas de energia destinados a aumentar a geração elétrica e para impulsionar a educação superior no país. Os recursos também buscam melhorar as condições de vida das famílias sem recursos e das centenas de milhares de deslocados pelas operações militares contra a insurgência taleban, além de desenvolver a formação e melhorar o equipamento dos corpos policiais nas áreas do noroeste paquistanês.

 

As forças militares paquistanesas realizam uma ofensiva militar no Waziristão do Sul, uma região fronteiriça ao território afegão. A área é vista como um bastião do Taleban, onde são tramados a maioria dos atentados do país e também ataques contra as forças ocidentais no vizinho Afeganistão.

 

Atentado em Peshawar

 

Especialistas em segurança afirmaram que o atentado poderia voltar-se contra os insurgentes, fazendo com que mais gente condene as ações dos extremistas. "Quem mata um muçulmano não tem outro destino a não ser o inferno", afirmou Mumtaz Ali, de 19 anos, que sofreu lesões enquanto estava em uma escola muçulmana perto de uma mesquita danificada pela explosão.

 

Boa parte do mercado de Mina, na parte antiga de Peshawar, foi destruída com a explosão. O local é um emaranhado de ruas estreitas com lojas e bancas vendendo vestidos, brinquedos e bijuterias. Por isso, atrai principalmente mulheres acompanhadas de seus filhos.

Dezenas de prédios desabaram, incluindo uma mesquita, e lojas pegaram fogo. Testemunhas disseram que os feridos aguardavam socorro sentados entre destroços em chamas e corpos, enquanto uma densa fumaça tomou o céu da cidade.

 

 

 

 

Três bombas foram detonadas só este mês em Peshawar, incluindo uma que matou 50 pessoas. Esses ataques são parte da onda de violência lançada pelo Taleban que já matou 250 pessoas em um mês e vem expondo as fraquezas do governo na luta contra a insurgência. O Taleban fez ameaças, dizendo que lançarão mais atentados se o Exército não interromper a ofensiva.

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