Andrew Biraj/Reuters
Andrew Biraj/Reuters

Número de mortos por desabamento em Bangladesh chega a 519

Autoridades intensificam sanções contra possíveis responsáveis pela tragédia

O Estado de S.Paulo,

03 de maio de 2013 | 16h49

DACA - Bangladesh acirrou o cerco nesta sexta-feira, 3, contra os que considera responsáveis pelo desabamento, ocorrido na semana passada, do edifício que abrigava instalações de indústria têxtil em Savar, a 30 quilômetros da capital, Daca. O governo central suspendeu o prefeito da Savar, Mohamed Refathllah, e anunciou a prisão do engenheiro Abdur Razzak Khan, acusado de auxiliar o responsável pelo imóvel a adicionar ilegalmente três andares ao prédio, de oito pavimentos. Os socorristas elevaram o número oficial de mortos para 519 e o ministro das Finanças do país, Abul Maal Abdul Muhith, afirmou não considerar a tragédia um incidente “realmente sério”.

O engenheiro preso afirmou que, depois de ter vistoriado o edifício na véspera do desabamento do dia 24, quando rachaduras foram encontradas no imóvel, pediu ao dono, Mohamed Sohel Rana, que retirasse todos os trabalhadores do local. A polícia chegou a ordenar a saída dos funcionários. De acordo com testemunhas, porém, na manhã seguinte, Rana disse a trabalhadores que se aglomeravam diante do prédio, juntamente com gerentes das fábricas que operavam no edifício, que entrassem, pois as instalações estariam seguras. O desabamento ocorreu horas depois – e o dono do imóvel foi preso.

O prefeito de Savar foi acusado de negligência porque, segundo a investigação do incidente, ignorou regras ao aprovar o projeto do edifício. Refathllah é do Partido Nacionalista de Bangladesh, de oposição – para a legenda, a suspensão tem motivação política. As autoridades de Bangladesh afirmam que o número de mortos deve ainda aumentar.

Em visita a Nova Délhi, o ministro das Finanças do país minimizou a importância do desabamento: “As dificuldades atuais... bom, não penso que isso seja realmente sério. Foi um acidente”. “E os passos que demos para garantir que isso não aconteça (de novo) foram planejados e acredito que serão bem aceitos”, declarou Muhith, dizendo não estar preocupado com a possível diminuição de pedidos de compradores estrangeiros dos produtos da indústria têxtil de seu país – em razão das más condições de trabalho dos funcionários. / AP

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