Número de mortos por mulheres-bomba no Iraque sobe para 98

Atentados em mercados lotados deixam pelo menos 208 pessoas feridas na última sexta-feira

Agências internacionais, BAGDÁ

02 de fevereiro de 2008 | 08h51

BAGDÁ - O número de mortos no duplo atentado suicida cometido por duas mulheres-bomba em mercados lotados de Bagdá subiu para 98 vítimas. O incidente aconteceu na sexta-feira, 1, e deixou ainda outras 208 pessoas feridas, segundo o novo balanço de autoridades iraquianas responsáveis pela segurança.

A polícia disse que as mulheres eram deficientes mentais - pelo menos uma teria síndrome de Down - e os explosivos foram detonados por controle remoto. O ataque, atribuído à Al-Qaeda, foi o mais mortífero desde que os EUA enviaram 30 mil soldados extras à capital seis meses atrás.

O primeiro ataque ocorreu às 10h20 locais (7h20 de Brasília) no mercado central Al-Ghazil. O mercado foi várias vezes alvo de atentados desde a invasão liderada pelos EUA, em março de 2003, mas recentemente voltou a ser um dos mais populares de Bagdá. Policiais e funcionários de hospitais disseram que 46 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas nesse ataque.

Cerca de 20 minutos depois, uma segunda mulher-bomba explodiu em outro mercado de animais, o Nova Bagdá, em uma área de maioria sunita no sudoeste da capital. O atentado matou 27 pessoas e deixou 67 feridos, disse a polícia. Segundo uma testemunha, a mulher disse que tinha pássaros para vender e quando várias pessoas se aproximaram para olhar os animais os explosivos foram detonados, com o uso de celulares.

A secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, disse que o uso de mulheres com problemas mentais como suicidas prova que a Al-Qaeda é "o movimento mais brutal e falido" e só fortalecerá a determinação iraquiana de combater o terrorismo. O embaixador dos EUA no Iraque, Ryan Crocker, também enfatizou o fato de os terroristas terem recorrido a uma suicida com síndrome de Down. Segundo ele, "isso mostra que a Al-Qaeda encontrou um modo diferente e mortífero" para tentar desestabilizar o Iraque. "Não há nada que eles não façam para causar uma carnificina e uma crise política."

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