Número de mortos por terremoto no Paquistão chega a 215

Sem abrigo e ajuda humanitária, sobreviventes do tremor passam a noite em temperaturas abaixo de zero

Agências internacionais,

30 de outubro de 2008 | 08h27

Milhares de pessoas afetadas pelo terremoto que atingiu a província do Balusquistão, no sudoeste do Paquistão, na quarta-feira, passaram a noite desabrigadas em temperaturas abaixo de zero. Nesta quinta, 30, o número de vítimas dos tremores chegou a 215. O terremoto de 6,5 graus na Escala Richter - cujo menor grau é 2 e o mais alto já registrado foi de 9,5 - deixou pelo menos 15 mil desabrigados. O abalo sísmico provocou ainda outras 20 réplicas de tremores menores ao longo do dia - duas delas com magnitude de 6,2 e 6,4 graus -, destruindo mais de 2 mil casas e obrigando milhares de moradores a dormirem ao ar livre, o que, segundo as agências humanitárias, pode aumentar o número de vítimas.   Veja também: País sofre com desastres e guerras  Entenda como acontecem os terremotos    Mais de 24 horas depois do desastre na empobrecida região, moradores e equipes de resgate trabalhavam na busca por sobreviventes e corpos sob os escombros. Conforme chegam informações das áreas mais remotas, o governo provincial Zamrak Khan afirmou que o número de vítimas já chegou a 215, e que os hospitais ainda estão tratando dezenas de pessoas que foram gravemente feridas.   Com temperaturas de - 5º C, muitos passaram a noite ao redor de fogueiras improvisadas. Segundo a BBC, muitas pessoas disseram que tiveram pouca ajuda do governo e que suprimentos, incluindo tendas e cobertores, levados por helicóptero à região remota e montanhosa, na verdade não avançaram muito além das estradas principais e não chegaram aos que mais precisam. Reportagens da TV local também mostraram uma situação semelhante, com reclamações de que os mais afetados ainda não receberam ajuda.     Agências de ajuda humanitária paquistanesas e internacionais dizem que estão tentando levar suprimentos aos sobreviventes. A Índia e os Estados Unidos também ofereceram ajuda. Os sobreviventes usavam as poucas ferramentas disponíveis nos vilarejos para abrir covas coletivas e enterrarem os corpos. Hospitais e clínicas locais estavam sobrecarregadas com a constante chegada de pessoas feridas. Pelo menos três organizações islâmicas radicais - entre elas a Jamaat-ud-Dawa, acusada pelos EUA de serem um grupo terrorista - enviaram socorro.   Os tremores foram sentidos a 70 km da cidade de Quetta, capital da província, às 04h09 (horário local) da quarta-feira. O epicentro foi registrado a uma profundidade de 10 km, de acordo com o centro americano de monitoramento geológico US Geological Survey. Muitas casas foram destruídas pelo terremoto e outras sofreram danos por causa dos deslizamentos de terra que se seguiram ao tremor. A cidade de Quetta foi completamente destruída em um grande terremoto em 1935, que deixou cerca de 30 mil mortos. Outros 73 mil morreram em um terremoto no Paquistão em outubro de 2005.

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