Número de reféns mortos pode aumentar, diz governo da Argélia

Pelo menos 23 morreram e outros estão desaparecidos depois de operação de militares

BBC Brasil, BBC

20 de janeiro de 2013 | 09h00

O governo da Argélia afirmou neste domingo que pode aumentar o número de reféns mortos depois de quatro dias de certo e ataques de forças argelinas a uma refinaria de gás no deserto do Saara, invadida por extremistas islâmicos.

Segundo o ministro das Comunicações argelino, Mohammed Said, o número final de mortos deve ser divulgado nas próximas horas.

Em uma entrevista para uma rádio argelina, Said afirmou que o número de mortos "infelizmente, vai ser revisado para cima".

Ele acrescentou que os militantes responsáveis pelo sequestro são de seis nacionalidades diferentes, "países árabes e africanos e de países não africanos".

Até o momento, o número de reféns mortos é de 23. Britânicos, americanos, noruegueses e japoneses estão entre os desaparecidos depois do cerco à refinaria no sul da Argélia, que foi encerrado por um ataque do Exército argelino no sábado.

O governo da Argélia afirma que os soldados mataram 32 extremistas e as autoridades informaram que o Exército lançou o ataque final depois que os militantes islâmicos começaram a mater os reféns estrangeiros.

Neste domingo, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, confirmou que três britânicos foram mortos durante o sequestro. Outros três continuam desaparecidos.

Segundo o ministro do Exterior da Grã-Bretanha, William Hague, as autoridades do país estão 'trabalhando duro" para localizar os desaparecidos.

Más notícias. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou que o governo argelino poderá dar más notícias a respeito dos reféns.

"Segundo o que ouvimos do governo argelino, existem informações terríveis sobre nossos cidadãos", afirmou.

Abe pediu ao primeiro-ministro argelino, Abdelmalek Sellal, medidas para acelerar a confirmação da situação dos japoneses.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que "tudo parece indicar" que um cidadão colombiano morador da Grã-Bretanha está entre os reféns mortos. Mas, de acordo com Santos, a informação sobre a situação de Carlos Estrada, que trabalhava para a BP, "não é 100%".

Além de Estrada, dois cidadãos da Malásia e cinco noruegueses ainda estão desaparecidos.

O campo de gás de Tigatourine, no leste do país, é operado pela britânica BP, pela norueguesa Statoil e pela petroleira estatal argelina.

Culpados. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, responsabilizou os "terroristas" pela morte dos reféns na refinaria.

"Este ataque é outro lembrete da ameaça da Al-Qaeda e outros grupos extremistas violentos no norte da África", disse Obama no sábado.

"Vamos continuar trabalhando com todos nossos parceiros para combater a calamidade do terrorismo na região."

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que os militantes realizaram um "ataque cruel e covarde". Ele admitiu que as reação das autoridades argelinas ao sequestro foi criticada, mas acrescentou que era "extrememamente difícil responder (a este sequestro) e acertar em todos os aspectos".

A agência de notícias estatal APS afirmou, citando o Ministério do Interior da Argélia, que 685 funcionários argelinos foram libertados. Dos 132 trabalhadores estrangeiros do complexo, 107 teriam sido resgatados.

Os extremistas seriam liderados por Abdul Rahman al-Nigeri, segundo a agência de notícias ANI, da Mauritânia.

Eles afirmaram ter agido em retaliação à intervenção militar francesa no Mali.

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