AFP PHOTO / Zein Al RIFAI
AFP PHOTO / Zein Al RIFAI

Número de refugiados da guerra na Síria chega aos 5 milhões

Depois de a cifra se manter praticamente estável em 2016, o conturbado início de ano em várias regiões da Síria fez crescer a quantidade de pessoas que deixaram o país; crise é considerada como a pior desde 2ª Guerra

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 10h40

GENEBRA - O número de sírios que fugiram de seu país depois de seis anos de guerra chegou a 5 milhões, enquanto diplomatas e negociadores em Genebra não dão sinais de se aproximarem de uma solução para a pior crise humanitária do mundo desde a 2ª Guerra.

Dados apresentados pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) apontam que, se em 2016 o número de refugiados ficou relativamente estável em 4,8 milhões de pessoas, o início de 2017 foi especialmente conturbado para diferentes regiões da Síria, elevando o número de refugiados em pelo menos 200 mil. 

Na nova onda de sírios que fugiram do país, a Turquia mais uma vez passou a ser o destino preferido. Apenas em fevereiro, o país recebeu 47 mil novos sírios, elevando o total refugiados no país para 2,9 milhões. Líbano e Jordânia estão também entre os principais destinos, acumulando um número bem superior a toda a Europa. 

Enquanto Oriente Médio e a Turquia recebem o maior volume de refugiados, a ONU lamenta que, um ano depois de um compromisso internacional de reassentar 500 mil sírios, apenas 250 mil conseguiram encontrar uma nova residência. Governos de todo o mundo haviam se comprometido a ajudar os países vizinhos da Síria e realocar refugiados, mas pouco tem sido feito para cumprir essas promessas. 

"Ainda temos um longo caminho a percorrer para expandir os reassentamentos", disse o alto comissário de Refugiados, Filippo Grandi. "Para enfrentar esse desafio, não precisamos apenas de mais lugares, mas também acelerar promessas que haviam sido feitas", afirmou.

Governos como o do Canadá, Brasil, Suécia e outros indicaram que estariam dispostos a receber os sírios. Mas, principalmente na Europa, o processo de reassentamento ainda é lento. 

Para a ONU, além de 5 milhões de refugiados, outras 6,3 milhões de pessoas estão deslocadas internamente na Síria, país com 22 milhões de habitantes. 

O governo dos EUA havia se comprometido em 2016 a receber um total de 64 mil sírios. Mas, de acordo com a ONU, Washington está negociando uma redução desse número. Pela Europa, o fluxo abriu velhos debates no continente sobre a integração de estrangeiros e fez com que grupos de extrema direita passassem a usar o tema da imigração para atrair votos. 

Nesta semana, o governo da Áustria avisou a Comissão Europeia que não iria mais aceitar refugiados, depois de receber 90 mil pessoas em 2015. Segundo Viena, isso representa 1% de sua população. "Já fizemos a nossa parte", disse o chanceler austríaco, Christian Kern.

Pelos planos da Europa adotados em setembro de 2015, os 28 governos do bloco repartiriam entre si 160 mil refugiados em dois anos. Até agora, porém, apenas 15 mil pessoas foram reassentadas e o programa será concluído em setembro.

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