Número de refugiados palestinos pode dobrar em 19 anos

O número de refugiados palestinos no mundo dobrará até 2025, segundo um relatório demográfico divulgado na Autoridade Nacional Palestina (ANP), devido ao Dia Internacional do Refugiado. Os refugiados palestinos vivem em sua imensa maioria em 59 campos, sendo os principais na Cisjordânia (19), Gaza (8), Jordânia (10), Síria (10) e Líbano (12). O informe diz que 42,2% da população da Cisjordânia e de Gaza são de refugiados. O problema surgiu em 1948, quando 726 mil palestinos, segundo o relatório, abandonaram suas casas para fugir da primeira guerra árabe-israelense. Para Israel, o número de refugiados palestinos na época foi de pouco mais de 400 mil.Os palestinos denunciam que as forças israelenses expulsaram os moradores de suas terras na Palestina; já os israelenses afirmam que a maioria dos palestinos deixou suas casas voluntariamente, estimulados pelos países árabes vizinhos. Para os judeus, apenas alguns deles foram forçados, devido ao avanço das tropas. Em todo caso, os descendentes desses refugiados e os da guerra de 1967 estão amontoados em campos por toda a região do Oriente Médio desde aquela época.De acordo com o organismo especial criado pela ONU há mais de cinco décadas para tratar este problema, a UNRWA, o número de refugiados já supera a faixa dos quatro milhões. A UNRWA fornece alimentos básicos e serviços médicos, com o objetivo de conter uma crescente pobreza entre os refugiados. As estatísticas divulgadas revelam que 39,9% dos moradores da Cisjordânia e de Gaza vivem abaixo da linha de pobreza.No caso dos não refugiados, a porcentagem chega a 24,9% dos palestinos. O índice de desemprego também é maior entre os refugiados: 40,2%, em comparação com os 37%. O problema dos refugiados é um dos principais empecilhos no conflito palestino-israelense.A ANP exige que os refugiados retornem às casas e propriedades abandonadas em 1948 e 1967, além de compensações pelo sofrimento de mais de meio século de vida no exílio e na pobreza. Israel alega que não pode permitir o retorno dos refugiados porque isso alteraria o balanço demográfico no país e lhe faria perder sua identidade como Estado judeu, concedido pela resolução de partilha da Palestina em 1947. O país já possui 1,2 milhões de palestinos, ou seja, 21% de sua população. Como solução, Israel sugere que os refugiados sejam recolhidos por um futuro Estado independente palestino, e que se busque um mecanismo de indenização econômica.

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