Número de soldados mortos no Iraque cai, mas salta o de feridos

Para cada soldado americano morto no Iraque, nove ficam feridos e sobrevivem, na maior proporção em qualquer outra guerra na história. Esse alto índice de sobrevivência aparentemente se deve ao fato de os soldados utilizaram coletes à prova de balas mais eficazes e receberem tratamento praticamente imediato. Isso não significa, porém, que os ferimentos sejam menos graves, revelou um novo estudo a ser publicado nesta Quinta.Apesar de sobreviverem, muitos jovens soldados escapam com mutilações e ferimentos profundos, perdendo braços e pernas e ficando com os rostos deformados. "Isso não tem precedentes. Antes as pessoas não sobreviviam a esses ferimentos", disse o doutor Atul Gawande, um cirurgião do Hospital da Mulher de Boston que pesquisou os registros médicos militares e escreveu sobre o tema em um artigo para o Jornal de Medicina da Nova Inglaterra.O jornal também publicará cinco páginas de fotografias de militares que mostram explicitamente o horror dos ferimentos e as condições de trabalho dos cirurgiões militares da atualidade. "Essa guerra está produzindo ferimentos sem precedentes, menos letais, mas mais traumáticos", disse o doutor Jeffrey Drazen, editor do jornal. Segundo ele, as principais razões são capacetes e coletes à prova de balas mais modernos e eficazes na proteção a pontos vitais do corpo dos soldados."Os pontos mas críticos, como a cabeça, o peito e o abdome estão bem protegidos", confirma o doutor George Peoples, um cirurgião do Centro Médico Militar Walter Reed. "Paradoxalmente, temos visto ferimentos devastadores, pois as pessoas estão sobrevivendo em circunstâncias sob as quais antigamente elas não resistiriam", explicou.Até meados de novembro, 10.369 soldados americanos haviam ficado feridos em combate no Iraque e no Afeganistão. Desse total, 1.004 morreram, o que indica um índice de sobrevivência de aproximadamente 90%. Na Guerra do Vietnã, um em cada quatro soldados sobrevivia aos ferimentos, quase todos eles antes de serem socorridos. Hoje, no Iraque e no Afeganistão, os soldados americanos são capazes de transportar "mini-hospitais" e realizar cirurgias básicas em veículos militares.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2004 | 20h22

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