Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Número de venezuelanos que pediram asilo ao Brasil dobra em 5 meses

Dados publicados pelas Nações Unidas, com base nas informações das autoridades nacionais, indicam que 65,8 mil venezuelanos haviam feito a solicitação no País até o final de setembro; em abril, eram apenas 32,7 mil

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2018 | 20h07

Em apenas cinco meses, dobrou o número de venezuelanos solicitando refúgio no Brasil. Dados publicados pelas Nações Unidas, com base nas informações das autoridades nacionais, indicam que 65,8 mil venezuelanos haviam feito a solicitação de asilo no País até o final de setembro. Em abril, eram apenas 32,7 mil. 

 Será realizada nesta terça-feira, 16, em Brasília uma reunião ministerial para debater a situação da Venezuela, além de buscar coordenação para um fluxo de migrantes que continua sendo forte. O governo deve receber, no encontro, os números atualizados da Polícia Federal sobre a entrada de venezuelanos e dos refúgios solicitados. 

Mas, segundo os dados já passados pela PF para a ONU, o Brasil já é o terceiro maior destino de pedidos de asilo de venezuelanos. O principal país onde os imigrantes venezuelanos fizeram pedidos de asilo foi o Peru, com 133 mil solicitações oficiais. O segundo destino são os EUA, com 72 mil requisições.

O número de solicitações de asilo não reflete o total da população venezuelana que cruzou a fronteira. Trata-se apenas do registro daqueles que pretendem ficar no Brasil e consideram que estão sendo alvo de perseguições na Venezuela. Se atendidos, eles receberão todo os benefícios de um cidadão brasileiro, salvo a nacionalidade e direitos políticos. 

No total, 346 mil venezuelanos já solicitaram essa proteção oficial pelo mundo, um número que, em 2018, já é maior que os refugiados sírios. Cerca de 80% desses venezuelanos estão apenas em três países: Peru, EUA e Brasil. 

Além desses pedidos de asilo, existem mais pelo menos 19 mil venezuelanos que solicitaram residência no Brasil, por meio de outros mecanismos de regularização. Segundo levantamento, 383 mil venezuelanos pediram residência como imigrantes na Colômbia, 114 mil no Peru e outros 100 mil no Panamá.

Na ONU, os dados revelam também que a falta de recursos é uma realidade para lidar com esse novo fenômeno regional. Dos US$ 46 milhões que a entidade solicitou da comunidade internacional para a emergência na Venezuela, apenas 55% do montante conseguiu ser arrecadado. Apesar de ser contrário ao regime Maduro, o governo americano contribuiu com US$ 12 milhões. 

A entidade internacional estima que, hoje, 2 milhões de venezuelanos estejam espalhados pelas Américas, o que necessita uma coordenação permanente para garantir o atendimento a essa população. 

Num dos documentos, as Nações Unidas não escondem a dimensão da crise. “Com mais de 2,6 milhões de refugiados e migrantes fora da Venezuela, a América Latina está vivendo o maior êxodo de sua história”, declarou a organização. 

Em visita à Colômbia na semana passada, o alto-comissário das Nações Unidas para refugiados, Filippo Grandi, defendeu que a comunidade internacional faça mais para ajudar os milhares de venezuelanos que cruzam fronteiras diariamente em busca de proteção internacional.

“O fluxo constante de venezuelanos que entram na Colômbia causa enormes desafios para atender às necessidades humanitárias de todos”, afirmou Grandi. Apenas para a Colômbia, 4 mil venezuelanos cruzam a fronteira por dia. Segundo Grandi, uma estratégia regional precisa ser desenvolvida com urgência. 

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