Número de vítimas civis sobe 23% no Afeganistão

ONU diz que índice de cidadãos comuns mortos e feridos no conflito teve alta no 1º semestre em comparação a 2012, uma mudança de tendência

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2013 | 05h49

Dados divulgados ontem pela ONU revelam que o número de civis mortos e feridos no Afeganistão nos primeiros seis meses do ano aumentou 23% em comparação com o mesmo período de 2012. A conclusão representa uma reviravolta em relação à tendência de baixa do levantamento do ano passado.

A queda no número de vítimas no primeiro semestre de 2012, em comparação com o ano anterior, chegou a ser comemorada na Casa Branca como um sinal de que a saída das tropas estrangeiras do Afeganistão poderia funcionar.

O relatório das Nações Unidas demonstra a dificuldade que as tropas afegãs terão diante da insistência da oposição em combater o governo do presidente Hamid Karzai, justamente num momento de transição. No fim de 2014, as forças internacionais deverão deixar o Afeganistão, uma promessa feita quando o americano Barack Obama assumiu a presidência, em 2008. As estatísticas publicadas ontem, porém, indicam que dificilmente as tropas estrangeiras deixarão o país num clima de paz uma década após a invasão do país.

A ONU concluiu que o Taleban modificou sua estratégia, passando a atacar policiais locais à medida que a responsabilidade pela segurança foi passando para as forças afegãs. Lugares onde anteriormente havia bases de tropas estrangeiras são hoje alvo de disputa entre insurgentes e tropas do governo. Segundo o relatório, o Taleban é o maior responsável pela violência, perpetrada principalmente com ataques suicidas e explosões em estradas e ruas movimentadas. Os dados também apontam um aumento da violência na capital afegã, Cabul.

No primeiro semestre,1.319 civis foram mortos no Afeganistão em razão da guerra - quase 8 por dia. Outros 2,5 mil foram feridos. Entre janeiro e junho de 2012, o número de mortos foi de 1,1 mil e o de feridos, 1,9 mil.

A nova estratégia do Taleban, de atacar aglomerações nas cidades, acabou aumentando de forma expressiva o número de mortes entre mulheres e crianças. No caso das mulheres, os dados apontam um salto de 60%. Entre as crianças, o aumento foi de 30%.

Outro fator que vem contribuindo para a elevação do número de vítimas civis no conflito afegão é a metodologia usada nas ações. Um terço dos atentados é realizado com bombas caseiras.

O Taleban rejeita as conclusões da ONU, afirmando que muitas das vítimas não eram civis, mas agentes de governos estrangeiros.

Resistência. Os insurgentes ainda afirmam que parte das mortes ocorreu por ataques das forças estrangeiras ou em resposta a atos "ofensivos" de militares americanos ou europeus. "Chamar essas pessoas de civis é um julgamento da ONU. Não consideramos civis pessoas que estão trabalhando diretamente para a ocupação de nosso país."

O Taleban insiste que tem evitado "sempre que pode" a morte de civis inocentes, com ordens diretas aos seus militantes para que tomem medidas de precaução. Para Georgette Gagnon, representante de direitos humanos da ONU no Afeganistão, o posicionamento do movimento insurgente não tem diminuído o número das vítimas civis no Afeganistão.

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