Número maior de tropas americanas não inibe violência em Bagdá; mortos passam de 20

Ao menos 20 pessoas morreram em uma série de explosões que atingiu o centro da Bagdá nesta terça-feira, mas, segundo o New York Times, esse número pode passar de 24. O incidente coloca em dúvida a eficácia dos esforços americanos para prevenir a violência que atinge o país. Na semana passada, generais americanos admitiram que o Iraque está a beira de uma guerra civil. Outras 60 pessoas ficaram feridas nas explosões, segundo policiais. Os ataques começaram quando três bombas explodiram simultaneamente, todas próximas ao Ministério do Interior, no centro de Bagdá, matando dez pessoas e ferindo oito, segundo o policial Bilal Ali Majid.Outras duas bombas explodiram no principal supermercado local, também no centro, matando dez civis e ferindo outros 50, segundo o policial Mohammed Kheyoun.Pelo menos outras treze pessoas foram mortas nesta terça-feira, a maioria nas área de Bagdá em que a tensão entre sunitas e xiitas aumenta.Crise na segurançaA violência é um sinal da crise na segurança enfrentada por Bagdá, que faz com que o comando norte-americano mandasse mais soldados para a cidade numa tentativa de impedir o aumento de atentados e seqüestros na região.Oficiais americanos divulgaram detalhes da nova investida no país, citando o problema. Entretanto, soldados americanos com armamento pesado foram vistos nesta terça-feira nas ruas de Ghazaliyah, uma das cidades vizinhas da capital iraquiana, vista como peça chave no primeiro passo para a estabilização."A principal prioridade é trazer estabilidade para as redondezas onde há mais conflitos", afirmou o comandante norte-americano no Iraque, General George W. Casey Jr., durante uma coletiva em Tikrit. "Vocês vão nos ver começando pelas redondezas e gradualmente expandindo para toda a cidade".A violência foi desencadeada em regiões de milícias que iniciaram uma campanha de retaliação em fevereiro deste ano, quando 22 bombas foram lançadas por xiitas em Samarra, cidade a 95 quilômetros ao norte de Bagdá.Negociações para o fim do conflitoO embaixador dos EUA no Iraque, Zalmay Khalilzad, afirmou ter conversado com vários grupos de sunitas e xiitas para negociar o fim da violência nas áreas de conflito."Há a necessidade de vários passos práticos a serem dados, eles estão liderando na direção correta e esse é o governo certo para tentar resolver o problema das zonas de conflito", afirmou Khalilzad.Tanto Khalilzad quando Casey estavam em Tikrit participando das cerimônias de transferência do poder da 101º Divisão Aérea americana para as forças iraquianas, ao longo de uma área ao norte do país. Oficiais norte-americanos enfatizaram que a transferência de autoridade estava nos planos para o país, independente da crise de segurança em Bagdá.Entretanto, o embaixador admitiu que se a violência não puder ser controlada ao redor de Bagdá, o país "provavelmente entrará em uma situação mais complicada" em poucos meses.Mesmo assim, muitas controvérsias surgiram entre os oficiais dos EUA e Iraque. O primeiro ministro iraquiano, que é xiita, criticou duramente a incursão americana na manhã desta segunda-feira no distrito Sadr, refúgio do radical Muqtada al-Sadr e de sua milícia armada.Al-Maliki lamentou que os ataques tenham utilizado força excessiva e o presidente Jalal Talabani, um sunita curdo, alertou os americanos que não era do "interesse de ninguém" acabar com al-Sadr.Do outro lado, al-Sadr convocou seus seguidores para atacar "todos que difamam a milícia Mahdi" e chamou seus aliados a denunciar a "morte de pessoas inocentes". Ataques no centro de BagdáAlém das explosões desta terça-feira, dois homens armados atiraram contra um banco no distrito de Azamiyah, em Bagdá, matando três funcionários da agência e fugindo com o equivalente a US$5.500, de acordo com o Ministério da Defesa iraquiano.Dois irmãos sunitas foram violentados dentro de uma oficina mecânica no sul de Bagdá e quatro xiitas foram baleados em uma série de ataques em Baqouba e Muqdadiyah, duas cidades da província de Diyala, ao norte de Bagdá, segundo a polícia local.Policiais encontraram o corpo de duas pessoas mortas com tiros na cabeça, em Sulla, também ao norte de Bagdá. Um policial foi morto em uma explosão em Tikrit, segundo a própria polícia.As outras vítimas morreram em ataques e explosões menores, de acordo com informações da polícia.

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