AP Photo/M. Spencer Green
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Número recorde de candidatos dispersa disputa republicana

Sem um favorito claro, briga por vaga na corrida à Casa Branca cria cenários interessantes, dizem analistas

Renata Tranches , O Estado de S. Paulo

05 de julho de 2015 | 03h00

A percepção de que se trata de uma nomeação totalmente aberta e a impressão de que o Partido Democrata está vulnerável está levando um número recorde de pré-candidatos a brigar pela vaga republicana na corrida à presidência dos EUA. Até sexta-feira, havia 14 candidatos republicanos e 4 democratas. 

Grandes mudanças nas regras eleitorais do país também ajudaram a derrubar barreiras para quem quer tentar ser presidente dos EUA. A lei passou a permitir, por exemplo, doações ilimitadas, de uma única pessoa, para campanhas políticas.

A diretora do Departamento de Ciências Políticas da Universidade do Norte de Iowa, Donna Hoffman, explicou que em 2012 havia um cenário parecido, mas não com tantos nomes como agora. Assim como naquela época, não havia um herdeiro aparente no partido, como um vice-presidente, por exemplo. 

O grande número de candidatos, segundo ela, cria alguns cenários interessantes. “Há vários candidatos competindo pelo voto dos evangélicos. Aqui no Estado de Iowa, onde ocorrerá o primeiro caucus, existe a possibilidade de a briga por esse segmento de eleitores ser tão acirrada que nem mesmo o candidato mais consolidado possa vencer facilmente”, explicou. 

Iowa terá a primeira primária do calendário eleitoral de 2016 e eleições passadas mostraram que nenhum presidente americano elegeu-se sem vencer nesse Estado. 

O diretor do Departamento de Ciências Políticas e Administração Pública da Universidade do Norte da Flórida, Matthew Corrigan, afirma que falta unidade ao Partido Republicano. Segundo ele, a legenda está dividida em tantos interesses e segmentos que muitos candidatos ambiciosos veem agora uma oportunidade de brigar pela vaga à Casa Branca. 

Um exemplo é com relação ao magnata Donald Trump que, ao anunciar sua pré-candidatura no mês passado, fez um discurso xenófobo sobre os mexicanos que já lhe valeu grandes perdas de parceiros corporativos. Por outro lado, desde que chamou imigrantes mexicanos de “traficantes de drogas” e “estupradores”, começou a crescer nas pesquisas e, até o fim da semana passada, estava em segundo lugar. 

Mas, apesar de toda a polêmica, Donna diz acreditar que Trump não é um “candidato sério” para o partido. Como a última eleição para presidente deixou claro, a legenda precisa do voto latino se quiser voltar à Casa Branca. E é exatamente esse segmento o mais descontente com os comentários do magnata. “Seu crescimento nas pesquisas se deve mais ao fato de as pessoas reconhecerem seu nome. Além disso, a opinião pública está tão dividida com o grande número de candidatos que ele tem apenas 10%”, afirma, acrescentando que a desaprovação a Trump é muito alta. 

Para os dois analistas, apesar de sua campanha ter perdido força em meio a tantos adversários, Jeb Bush, irmão e filho de ex-presidentes, poderá se sobressair quando começarem as desistências. “Será difícil para os candidatos chamarem a atenção e se destacar. Mas um sobrenome Bush ajudará”, afirma Corrigan. 

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