Sergey Ponomarev/The New York Times
Sergey Ponomarev/The New York Times

Números apontam agravamento da crise humanitária na Síria

Estudos internacionais mostram que desde o início do conflito houve queda na expectativa de vida da população, aumento da mortalidade infantil e contração de 40% na economia

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2016 | 15h37

DAMASCO - A entrada em vigor de uma trégua nos combates na Síria permite esperar uma melhoria na distribuição de ajuda humanitária no país, onde cinco anos de guerra criaram "a pior e mais complexa crise humanitária no mundo", segundo a Cruz Vermelha Internacional.

O número de mortos superou os 300 mil desde o início do conflito, em março de 2011, de acordo com um novo balanço anunciado na terça-feira pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Mais da metade dos sírios foram obrigados a deixar suas casas e cinco milhões de pessoas encontraram refúgio nos países vizinhos, segundo organizações não governamentais.

Um estudo recente mostra que a expectativa de vida caiu de 5 a 6 anos entre 2010 e 2013 no país. A mortalidade infantil, que havia diminuído 6% ao ano até 2010, voltou a aumentar a 9% ao ano desde então.

Segundo a ONU, a economia se contraiu 40% desde o início da guerra. Mais de 13 milhões de pessoas, dentre as quais há 6 milhões de crianças, precisam de ajuda humanitária.

A situação humanitária é particularmente difícil para os habitantes das 20 zonas ou localidades sitiadas, principalmente pelas forças do regime de Bashar Assad.

A ONU estimou recentemente em quase 600 mil a quantidade de pessoas que vivem em 18 zonas ou regiões sitiadas, das quais 450 mil estão cercadas pelo Exército. No fim de agosto, o regime levantou o cerco de Daraya, perto da capital reconquistada pelas forças do governo.

Em Alepo, no norte do país, a situação se agravou recentemente para os 250 mil habitantes dos bairros rebeldes, novamente isolados pelas forças do regime.

Obstáculos. Entregar ajuda humanitária na Síria é uma missão extremamente perigosa, às vezes impossível, e precisa do aval do regime. A distribuição é afetada pelos "combates, flutuação do front, obstáculos administrativos e burocráticos", segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

"Precisamos de um ambiente sem risco de morte" para enviar os comboios de ajuda previstos após a entrada em vigor da trégua russo-americana, declarou Jens Laerke, porta-voz da OCHA em Genebra.

Em Alepo, a trégua prevê o acesso humanitário sem travas com a "desmilitarização" da rota do Castello, que une os bairros rebeldes com o exterior.

A ajuda internacional chega com ainda mais dificuldade às zonas controladas pelo grupo Estado Islâmico, como a cidade de Deir Es-Zor, no leste do país, onde o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU lançou várias cargas de suprimentos por avião.

No dia 8 de setembro, 73 ONGs suspenderam sua cooperação com a ONU na Síria para protestar contra a "manipulação dos esforços humanitários" pelo regime e a incapacidade das Nações Unidas de resistir a essas pressões. / AFP

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