Números exagerados e 'terror' sobre déficit

Embora Obama não tenha reduzido sangria nos EUA, ele tampouco 'dobrou' o déficit, como repetiu Romney na campanha

O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h04

Durante a campanha, o candidato republicano, Mitt Romney, fez várias declarações que, à primeira vista, poderiam ser consideradas verdadeiras. Mas, uma análise mais profunda revela que o candidato mentiu ou exagerou em suas declarações.

Em um discurso feito em Englewood, Colorado, no dia 3, Romney declarou que Barack Obama disse "que se concentraria na criação de empregos. Em vez disso, tratou de criar um Obamacare que matou empregos". Mas a lei sobre a saúde à qual Romney se referiu praticamente nem entrou em vigor.

Em geral, quando os republicanos a definem como uma lei que acaba com os empregos, referem-se a uma estimativa do Departamento do Orçamento do Congresso (CBO), segundo a qual, na próxima década, esta lei reduzirá o número total de trabalhadores nos EUA em 0,5%, o que representa 800 mil pessoas. Mas isso não é o mesmo que dizer que "acabará" com outros tantos empregos. Romney também acusou Obama de dizer que cortaria o déficit federal pela metade, para depois o dobrar. Obama com certeza não conseguiu cortar consideravelmente o déficit, muito menos pela metade. Mas não é justo dizer que o dobrou. O déficit para o exercício fiscal de 2008 foi de US$ 438 bilhões. Mas a estimativa do déficit do CBO para o exercício fiscal de 2009 - de janeiro de 2009, pouco antes da posse de Obama - foi de US$ 1,2 trilhão. O valor final do déficit de 2009 foi de US$ 1,4 trilhão, ou cerca de 10% do PIB. Para o exercício fiscal que acabara, o déficit foi de US$ 1,1 trilhão, ou 7% do PIB. Romney também lembrou que Obama prometera reduzir a taxa de desemprego para 5,2%. "Mas na sexta-feira fomos informados de que a taxa é de 7,9%. São 9 milhões de empregos a menos do que ele prometeu, afirmou Romney.

Os republicanos gostam de citar a "promessa" de Obama, mas a coisa não é tão simples. Antes da posse de Obama, dois assessores redigiram um relatório que procurava avaliar o impacto de um possível pacote de estímulo de US$ 775 bilhões e o efeito que ele teria em comparação a não se tomar a menor providência. Portanto, não foi uma avaliação oficial do governo nem mesmo uma análise de um plano aprovado no Congresso. A página 4 do relatório incluía um gráfico que mostrava que o desemprego chegaria a 8% em 2009, em comparação a 9% em 2010, se não fosse tomada nenhuma medida. Para 2012, o relatório sugeria que a taxa de desemprego seria de 5,2% após o estímulo.

"Ele se apoderou de US$ 716 bilhões do Medicare para pagar o seu Obamacare". Os gastos do Medicare não foram reduzidos. Aliás continuam crescendo ano após ano. Os US$ 716 bilhões vêm da diferença ao longo de dez anos entre os gastos antecipados do Medicare e as mudanças que a lei faz para reduzir os gastos.

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