Números finais da eleição parlamentar do Iraque devem sair na quarta

Haverá ainda período para contestações judiciais; resultado final deve sair só no fim do mês

Agência Estado

17 de março de 2010 | 12h52

BAGDÁ - O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, e seu principal rival, o ex-premier Iyad Allawi, estavam empatados na acirrada apuração eleitoral no país. Resultados atualizados nesta quarta-feiura, 17, mostram os dois blocos lado a lado na corrida pelo controle do Parlamento. Os números finais devem sair ainda nesta quarta, mas ainda haverá um período para contestações judiciais da apuração. O resultado final deve ficar para o fim do mês.

 

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A aliança Estado de Direito, de al-Maliki, e a al-Iraqiya, de Allawi, poderiam ficar cada uma com 87 cadeiras no Conselho dos Representantes. A estimativa é um cálculo da AFP, baseado nos resultados das urnas já apuradas, 79% do total. A diferença entre os dois grupos é de menos de 9 mil votos.

Apesar disso, os votos depositados fora do Iraque e aqueles das forças de segurança, que tiveram um período especial para votar, não foram ainda computados e poderiam alterar o resultado. Também ainda não foram contados os votos de doentes e dos presos.

A eleição é a segunda desde a queda do ditador Saddam Hussein, com a invasão liderada pelos EUA, em 2003. A disputa eleitoral ocorre menos de seis meses antes do prazo estipulado pelos americanos para retirar todas suas tropas de combate do Iraque.

Fraudes

Um aliado de al-Maliki afirmou que houve fraudes generalizadas. Dias antes, Maliki disse que os casos de fraude foram "muito pequenos". O candidato Ali al-Adeeb, da aliança Estado de Direito, afirmou que houve "clara manipulação dentro da comissão eleitoral em prol de uma lista específica".

Al-Adeeb concorre na província de Kerbala, de maioria xiita, no centro do país. Ele qualificou o avanço da al-Iraqiya, após estar atrás nas primeiras parciais, como "um milagre". Um funcionário da comissão eleitoral, Iyad al-Kinaani, descartou o reinício da contagem.

No total, o grupo de Allawi aparece com 2.102.981 votos, enquanto a aliança Estado de Direito tem 2.093.997. Apesar disso, o grupo de al-Maliki lidera em Bagdá, maior província do país, que concede mais que o dobro de cadeiras no Parlamento que qualquer outra região iraquiana. A Estado de Direito lidera ainda em Basra, terceira maior província, localizada no sul iraquiano e rica em petróleo.

A Aliança Nacional Iraquiana, coalizão liderada por grupos religiosos xiitas, deve se tornar a terceira força no país, com 67 cadeiras. Já a Kurdistania, reunindo os dois principais partidos da região curda do país, no norte, deve obter 38 assentos.

Negociação

O sistema de representação proporcional do Iraque torna improvável que apenas um grupo político obtenha os 163 postos, no Parlamento de 325 membros, para formar um governo sozinho. Assim, a tendência é que sejam formadas coalizões.

Os dois grupos mais bem colocados já começaram a negociar com outros blocos para formar um governo, mas analistas afirmam que é possível até mesmo que grupos políticos manobrem para formar uma coalizão sem nenhuma das duas forças. As informações são da Dow Jones.

 

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