REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Nunes vê Mercosul em convergência sem Venezuela

Em sua primeira viagem internacional como chanceler, sucessor de Serra projeta parcerias com outros blocos após suspensão de Caracas

Márcio Resende, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2017 | 20h38

BUENOS AIRES - A primeira viagem internacional de Aloysio Nunes (PSDB-SP) como ministro das Relações Exteriores coincidiu com a primeira reunião do Mercosul sem Venezuela. Na mesma linha do antecessor José Serra, o novo chanceler condenou a situação da democracia na Venezuela. Ele ressaltou que agora o bloco sul-americano tem a convergência necessária para avançar em acordos com outros blocos e países.

 “Falamos sobre a nossa preocupação com a situação democrática na Venezuela, que o calendário eleitoral seja respeitado, que haja respeito pela prerrogativas da Assembleia e sobre a nossa preocupação com os presos políticos”, disse.

“O que temos hoje nos países do Mercosul é uma convergência de pontos de vista em relação a muitas dessas questões sobre a concepção da liberdade de comércio, intercâmbio entre as pessoas, liberdade democrática, segurança jurídica. Existe uma convergência e isso é uma oportunidade muito importante para avançarmos agora”, considera o chanceler.

A Venezuela foi suspensa em dezembro, tecnicamente por não ter completado em tempo e forma os passos necessários para a sua adesão definitiva, deixando de incorporar as normativas do bloco. Politicamente, Brasil, Argentina e Paraguai consideram que o governo Maduro não cumpre com a Carta Democrática do Mercosul por desrespeitar os direitos humanos. A suspensão foi obtida depois que o Uruguai se absteve em votação. Com a Venezuela afastada, o Mercosul encontrou a convergência para o livre-comércio.

“O que temos hoje nos países do Mercosul é uma convergência de pontos de vista em relação a muitas dessas questões sobre a concepção da liberdade de comércio, intercâmbio entre as pessoas, liberdade democrática, segurança jurídica. Existe uma convergência e isso é uma oportunidade muito importante para nos avançarmos agora”, observou.

Parcerias. A reunião entre os chanceleres de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai também serviu para os quatro países afinarem a oferta que vão apresentar em conjunto entre os dias 20 e 24, durante a reunião birregional Mercosul-União Europeia em Buenos Aires. O acordo de livre comércio parece ter ganho mais atenção desde a chegada da política protecionista de Donald Trump ao poder. O acordo é a prioridade do Mercosul.

“As perspectivas são muito favoráveis. Ha um interesse grande da parte deles (dos europeus) e da nossa parte também. Falamos dessa oportunidade que temos agora de avançarmos e de concretizarmos o nosso entendimento com a União Europeia”, disse Nunes.

"Mas, para que essa oportunidade seja aproveitada, temos de nos azeitarmos entre nos também. Precisamos fazer a lição de casa em relação aos nossos problemas, entraves e obstáculos ao livre-comércio entre nós”, pondera.

Num momento em que o protecionismo pregado por Trump altera a relação comercial pelo mundo, o Mercosul enxerga também a oportunidade de ganhar terreno aproximando-se da Aliança do Pacífico (Chile, Peru, Colômbia e México) com uma reunião entre os dois blocos nos dias 7 e 8 em Buenos Aires.

 

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