'Nuvem' de óleo submarina é identificada no Golfo

Uma nuvem de petróleo invisível de 35 quilômetros de extensão está se movendo sob a superfície do Golfo do México, onde provavelmente ficará por meses ou anos, afirmaram hoje cientistas ao apresentarem o que qualificaram como a primeira evidência conclusiva da presença de uma pluma de óleo causada pelo vazamento da British Petroleum (BP).

AE-AP, Agência Estado

19 de agosto de 2010 | 18h27

A parte mais preocupante da descoberta é o ritmo lento com que o óleo está se dispersando nas águas frias, com temperatura inferior a 5ºC. Isso faz com que a pluma represente uma ameaça duradoura, mas oculta, para a vida marinha, escrevem os especialistas na revista Science.

No início do mês, autoridades federais norte-americanas declararam que o óleo derramado pelo desastre da petrolífera britânica havia "ido embora", e ele realmente foi, no sentido de que não é mais possível vê-lo. Mas os ingredientes químicos do petróleo persistem, a mais de um quilômetro abaixo da superfície, determinaram os pesquisadores.

E o óleo submerso está se degradando com apenas 10% da velocidade com que ele se decomporia na superfície. O pesquisador Monty Graham, que não tomou parte no estudo publicado na Science, disse que os autores do artigo falam que a nuvem submarina de óleo pode durar meses. "Mas mais provavelmente poderemos rastrear essa coisa por anos", afirmou.

O pesquisador da Universidade da Flórida Ian MacDonald, testemunhando perante o Congresso, disse que a "assinatura" do gás e o petróleo "será detectável no ambiente marinho pelo resto da minha vida". As gotículas de óleo que formam a nuvem são inodoras e pequenas demais para serem vistas a olho nu. Uma pessoa, nadando através da pluma, não perceberia nada. "Não há evidência visível de petróleo nas amostras, elas parecem água limpa", disse o principal autor do estudo, Richard Camilli.

Os pesquisadores usaram instrumentos complexos - incluindo um espectrômetro de massa submarino - para detectar os sinais químicos do óleo que vazou do poço da BP após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, em 20 de abril. O equipamento foi levado ao fundo do mar por dispositivos submersíveis.

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