NYT censura texto sobre atentados frustrados no Reino Unido

O site do The New York Times está impondo censura aos leitores britânicos. Os internautas não estão impedidos de ler todo o conteúdo do periódico, mas terão acesso negado a um artigo que detalha a investigação sobre a ação de terroristas que planejavam explodir, em pleno vôo, aviões que sairiam da Inglaterra com destino aos Estados Unidos.De acordo com a porta-voz do Times, Diane McNulty, o jornal adotou a postura de bloquear o conteúdo para os leitores britânicos com o objetivo de cooperar com as leis inglesas. "Nós temos claro que as publicações no Reino Unido devem seguir as leis do país. Embora seja uma nação que não tem a Primeira Emenda, eles têm a imprensa livre. Mas sentimos que seria melhor respeitar as leis locais", afirmou nesta terça-feira, 29.Visitantes que tentam abrir o link para a matéria, publicada na segunda-feira, 28, acessam a um aviso explicando que a lei britânica "proíbe a publicação de informação prejudicial à defesa de réus".O artigo censurado revela evidências que levaram as autoridades a desbaratar o suposto atentado a aviões saídos da Inglaterra com destino aos Estados Unidos, com a utilização de explosivos líquidos. O site do Times consegue bloquear qualquer leitor do Reino Unido porque usa uma tecnologia que identifica automaticamente de onde o usuário está acessando à página. O site também bloqueou o acesso a um resumo da mesma matéria, em formato de áudio.Essa não é a primeira vez que uma empresa jornalística resolve bloquear o acesso a uma notícia. Outras já fizeram isso antes, na maioria das vezes, por questões financeiras, explicou Michael Geist, professor de Direito da Universidade de Ottawa, à reportagem da AP.Um exemplo citado pelo estudioso aconteceu quando a BBC estava testando o acesso online a reportagens sobre os principais eventos da última metade do século passado. A BBC não liberou o conteúdo para quem estava fora do Reino Unido, com o argumento que os vídeos foram patrocinados com recursos dos proprietários de televisores britânicos.Outro caso foi quando a BBC e outras emissoras bloquearam o áudio e o vídeo das Olimpíadas porque elas apenas compraram licenças para regiões geográficas específicas.Maior plano terrorista desde 11/9Ao todo, nove suspeitos de participar do complô para as ações terroristas em aviões com destino aos EUA já foram presos pela polícia britânica. No último dia 10 de agosto, os ingleses despertaram diante de uma ameaça terrorista muito mais ambiciosa do que os ataques de 7 de julho de 2005 contra o sistema de transportes de Londres e comparável aos ataques de 11 de setembro de 2001. Foi quando a ação conjunta de forças de segurança do Reino Unido e dos Estados Unidos foi capaz de frustrar o seqüestro e a explosão de até dez aviões que, segundo a Scotland Yard, "poderiam ter causado um assassinato em massa numa escala inimaginável".A polícia britânica não forneceu detalhes sobre os objetivos dos terroristas. Mas, segundo emissoras de televisão britânicas e norte-americanas, eles pretendiam embarcar em aviões de pelo menos três companhias americanas - United, American Airlines e Continental - com explosivos líquidos em garrafas de refrigerantes em suas bagagens de mão.Os aeroportos britânicos chegaram a viver cenas de caos. O país vive o pico do verão, uma das épocas mais movimentadas do ano. Todos os vôos com destino a Heathrow que ainda não haviam partido, no dia, foram suspensos e vários cancelados. Segundo a consultoria especializada em transportes internacionais OAG, cerca de 400 mil pessoas foram afetadas. Mais de 650 vôos estavam programados para decolar, dos quais 76 para os EUA.

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