NYT critica Fifa por não evitar manipulação

O jornal The New York Times critica em um editorial neste domingo a capacidade da Fifa de evitar a manipulação de resultados na Copa do Mundo. "Na medida em que a abertura das partidas no Brasil, dia 12 de junho, se aproxima, há crescente dúvida de que a Fifa tem equipe e segurança o suficiente para proteger a competição da ameaça de acerto de partidas que tem causado problemas ao esporte", escreve o maior jornal dos Estados Unidos.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agência Estado

08 de junho de 2014 | 11h34

No editorial, o Times mostra números de que o acerto de partidas em jogos de futebol é um problema real e cita dados da Europol, a agência de polícia da União Europeia. As análises indicam que 680 partidas em todo o mundo, de 2008 a 2011, incluindo alguns jogos de qualificação para a Copa do Mundo, são considerados suspeitos.

Segundo o Times, a manipulação de resultados em jogos de futebol interessa ao "lucrativo e frenético" mercado de apostas, que movimenta "centenas de bilhões de dólares" todo ano. O próprio jornal denunciou na semana passada um esquema na África do Sul, pouco antes da Copa de 2010, em jogos amistosos. Um juiz de uma partida entre África do Sul e Guatemala teria recebido US$ 100 mil em notas de 100 dólares para forjar o resultado. O jornal destaca que a arbitragem, que incluiu dois pênaltis questionáveis, foi considerada suspeita mesmo pelo torcedor mais indiferente.

Times de futebol e juízes em áreas pobres de países de menor renda são particularmente vulneráveis a caírem nos esquemas de manipulação de resultados e de acerto de partidas, destaca o jornal. "A Fifa promete que as partidas no Brasil terão segurança mais apertada e uma avaliação mais rigorosa dos juízes e jogadores. Mas as apostas em resultados de partidas de futebol está crescendo e os criminosos são experientes", ressalta o Times, destacando que eles têm pessoas infiltradas e homens de negócios que lucram milhões com a manipulação.

O jornal critica ainda a estrutura da Fifa para lidar com o problema e diz que a instituição tem 90 casos de partidas suspeitas que considera que merecem ser investigadas. Mas a Fifa teve apenas seis investigadores responsáveis "em uma área que precisa de uma equipe consideravelmente maior e dedicada em tempo integral", afirma o jornal. "Nenhuma competição é assistida tão intensamente como a Copa do Mundo. A Fifa deve ao mundo um reforço no acompanhamento dos jogos, de modo que os fãs podem vibrar sem dúvidas", conclui o editorial do jornal.

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