O artífice da aproximação entre a Igreja e o governo comunista

O ex-arcebispo de Havana Jaime Ortega é o principal responsável da aproximação da Igreja com o governo de Raúl Castro, que possibilitou a libertação de presos políticos e preparou a visita do papa Bento XVI à ilha. Aos 75 anos, sorridente e de modos suaves, o religioso também conseguiu por meio do diálogo com a cúpula do regime ampliar o espaço para a prática do catolicismo no país, algo raro no auge do governo de Fidel Castro (1959-2006).

O Estado de S.Paulo

27 Março 2012 | 07h38

O resultado mais expressivo do papel de intermediação da Igreja e o governo cubano foi o pacto assinado em maio de 2010 para a libertação de 130 dissidentes políticos - entre eles vários presos na Primavera Negra de 2003 - e sua transferência para a Espanha. Apesar da iniciativa bem-sucedida, Ortega foi criticado por setores anticastristas mais radicais, que o veem como um aliado de Raúl para promover o "desterro" de opositores.

O papel de interlocutor do cardeal possibilitou também o aumento na liberdade de religião em Cuba. Em 2010, obteve autorização da ditadura para peregrinar pela ilha com a imagem da Virgem da Caridade do Cobre, algo inédito desde a Revolução Cubana.

No ano passado, ao completar 75 anos, a idade limite prevista no código canônico, mas seguiu no arcebispado. / EFE

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