Broward County Sheriff / REUTERS
Broward County Sheriff / REUTERS

Atirador da Flórida é acusado de 17 homicídios premeditados; arma foi comprada legalmente

Testemunhas afirmam que Nikolas Cruz possuía armas em casa e falava em usá-las; Consulado do Brasil em Miami informou que havia alguns estudantes brasileiros na escola, mas eles 'se encontram bem e sob segurança'

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 02h31
Atualizado 15 Fevereiro 2018 | 14h52

PARKLAND, EUA - Nikolas Cruz, de 19 anos, o atirador que matou 17 pessoas na quarta-feira 14 em uma escola na Flórida, foi acusado formalmente de 17 homicídios premeditados. Um promotor público do Estado apresentou as acusações nesta quinta-feira, 15. Segundo autoridades, Cruz comprou legalmente a arma AR-15 usada no massacre. Ele era conhecido como um jovem amante das armas que havia sido expulso do colégio que atacou por razões de disciplina.

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Cruz chegou ao colégio Marjory Stoneman Douglas no horário de saída dos alunos com o rifle AR-15 e uma grande quantidade de munição. Antes de atacar, ele disparou o alarme de incêndio, justamente para atirar contra os estudantes quando eles estivessem abandonando o prédio.

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Alguns alunos registraram os momentos de pânico e desespero nas salas de aula com os celulares, capturando gritos e o som de disparos das armas. "Meu Deus! Meu Deus!", grita um dos jovens em um vídeo divulgado nas redes sociais, enquanto mais de 40 tiros são ouvidos ao fundo.

Cruz matou 12 pessoas no interior da escola e 3 do lado de fora, segundo o xerife Scott Israel, do Condado de Broward. Outras duas vítimas morreram em hospitais próximos em razão da gravidade dos ferimentos. O colégio foi transformado em um cenário de guerra, com cadeiras e mesas viradas, telas de computadores com buracos de balas e o chão manchado de sangue.

A polícia prendeu Cruz na cidade vizinha de Coral Springs, cerca de uma hora após ele deixar a escola, aparentemente entre os alunos que fugiam do local.

Planos

Cruz havia se preparado para o ataque, disse o senador pela Flórida, Bill Nelson, em uma entrevista após conversar com o FBI. "O atirador usava uma máscara de gás, tinha granadas de fumaça e disparou o alarme de incêndio para que os alunos saíssem das salas de aula", afirmou ele. Diversos estudantes contaram que acharam estranho o alerta, já que eles já tinham participado de uma simulação de incêndio naquele mesmo dia.

O xerife disse que não sabe quais foram as motivações do agressor, e detalhou que um treinador de futebol está entre os mortos e o filho de um vice-xerife ficou ferido. Das 17 vítimas, 12 foram identificadas até a noite de quarta-feira, afirmou ele, acrescentando que nem todos os estudantes estavam com suas mochilas e/ou carteiras. Autoridades também ressaltaram que Cruz estava matriculado em outra escola do mesmo condado.

Quando os disparos cessaram, os estudantes saíram correndo da escola enquanto os policiais entraram armados no prédio. Ao mesmo tempo, famílias dos alunos tentavam se encontrar com seus filhos no Hotel Marriott, localizado nas proximidades. O colégio permanecerá fechado até o fim da semana. 

Durante algumas horas, pais se aglomeraram perto do local do massacre e tentavam falar com seus filhos pelo celular. Alguns deles pediam que os jovens apenas se comunicassem por mensagens de texto para não fazer barulho.

"Ficamos todos sentados no chão debaixo das mesas", disse Rebecca Bogart, de 17 anos. Em meio ao pânico, ela viu ao menos cinco colegas sangrando, um na cabeça e um no braço. "Eu estava tentando ficar calma e meu amigo segurava a minha mão para tentar me acalmar."

Perfil

Nascido em setembro de 1998, Cruz havia publicado nas redes sociais mensagens "muito alarmantes", indicou Israel. Ele não detalhou a natureza dos textos e insistiu na necessidade de denunciar esse tipo de publicação.

Um dia antes do ataque, o jovem postou um vídeo em uma rede social afirmando que "coisas ruins vão acontecer amanhã" (quarta-feira). 

Cruz era conhecido no colégio como um aluno "problemático", segundo várias testemunhas. "Ele teve problemas quando ameaçou estudantes em 2017. Acredito que lhe disseram que deveria abandonar o campus", declarou ao jornal Miami Herald Jim Gard, professor de matemática que teve Cruz como aluno.

Segundo Gard, a direção do colégio havia advertido que não se deveria permitir a entrada dele no local se estivesse portando um mochila em razão de suas ameaças. O professor afirmou que Cruz parecia ser uma aluno "quieto" e, depois do massacre, descobriu que vários estudantes afirmaram que o atirador era obcecado por uma estudante do colégio ao ponto de "segui-la".

Um estudante entrevistado pela emissora local WSVN-7 explicou que o jovem era "um menino com problemas" que possuía armas em casa e falava em usá-las. "Ele disparava seu rifle porque lhe dava uma sensação de embriaguez", disse.

Segundo o aluno Nicholas Coke, Cruz era um "solitário" que havia abandonado o colégio meses atrás para se mudar para o norte da Flórida, logo após a morte de sua mãe. Ele também teria feito uma preparação militar, segundo fontes do Pentágono que não deram mais detalhes a respeito.

Outro estudante entrevistado pela emissora WJXT afirmou que era previsível que Cruz cometesse um ataque. "Honestamente, muita gente dizia que seria ele" quem "entraria no colégio", disse o jovem que não quis se identificar.

"Finalmente, todo mundo tinha falado", acrescentou, destacando que Cruz conhecia bem o lugar e os procedimentos vigentes no colégio para casos de emergência. "Ele estava no segundo andar, conhecia a disposição das salas, sabia onde os alunos estariam", explicou. "Ele estava habituado aos exercícios anti-incêndio, estava preparado." 

Brasileiros

O Consulado do Brasil em Miami informou que havia alguns estudantes brasileiros na Marjory Stoneman Douglas, mas que eles "se encontram bem e sob segurança". / AFP e NYT

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