O avanço da direita em Israel

Em 22 de janeiro eleições legislativas serão realizadas em Israel. Podemos anunciar desde já o vencedor: a direita. E que direita? Eis a questão, pois se a esquerda praticamente desertou, em compensação a direita está em plena forma. Ela fervilha, multiplica-se e está muito ativa. Lança pseudópodes e a cada manhã novas "direitas" nascem por partenogênese.

É CORRESPONDENTE EM PARISGILLES LAPOUGE, É CORRESPONDENTE EM PARISGILLES LAPOUGE, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2012 | 02h07

Nesta confusão de direitas, é possível colocar alguma ordem? O favorito é Binyamin "Bibi" Netanyahu, do Likud, primeiro-ministro que muitas vezes mostrou que não se melindra facilmente. Mesmo os Estados Unidos não o impressionam. "Sabemos todos que Bibi é o único que pode calar o bico do Hezbollah, do Hamas e dos outros inimigos de Israel", afirmam os israelenses.

A força de Bibi aumentou ainda mais já que para estas eleições ele se aliou a um outro grande falastrão, seu ex-ministro do Exterior, Avigdor Lieberman. Ao falar da Autoridade Palestina e seu chefe, Mahmoud Abbas, considerado um moderado, Lieberman repete com sua voz rouca de antigo boêmio das noites moldavas: "Se ele quer guerra, vai tê-la".

A este duo Netanyanu/Lieberman, há poucos dias se aliaram pelo menos 42 deputados dentre os 120 que formam o parlamento israelense. Mas as coisas mudaram. Em primeiro lugar, Lieberman, acusado de fraude e abuso de confiança, precisou se demitir. E, sobretudo, novas estrelas políticas estão surgindo.

Formação antiga que se acreditava em declínio, a Casa Judaica está em plena ressurreição. Foi retomada por um antigo ministro de Netanyahu, Naftali Bennet, que dirige o "lobby dos colonos" e tem carisma. Sua clientela inclui os "ultras da colonização" e os burgueses de Tel-Aviv. A Casa Judaica teria como crédito 12 deputados, que seriam subtraídos do campo de Netanyahu.

O partido russófilo de Lieberman, Israel Beiteinu, aliado de Netanyahu, também é confrontado por uma outra formação russófona, Os Israelenses. Esta formação é estimulada por uma estrela da TV hebraica em língua russa, David Kohn, que vem se aproveitando do discurso radical de Lieberman. Mas Netanyahu continua confiante. Está certo de que vencerá as eleições e em janeiro estará governando novamente Israel.

Resta explicar esta violenta queda para a direita do Estado hebraico. O motivo deve ser buscado na situação no Oriente Médio e, em primeiro lugar, nas primaveras árabes que derrubaram ditadores detestáveis, mas que eram um obstáculo para os islamistas. Não é mais o caso. O Egito está nas mãos da Irmandade Muçulmana, do presidente Mohammed Morsi. O Cairo não revogou os acordos firmados por Hosni Mubarak com Israel, mas os dois países podem entrar em atrito a qualquer momento. O Sinai egípcio tornou-se uma zona tenebrosa nas mãos de traficantes, bandidos e grupos jihadistas. E é preciso não esquecer de que o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, é uma criação da Irmandade Muçulmana. Se houver uma aproximação das duas emanações da Irmandade, o Hamas e Morsi, a segurança de Israel estará em risco.

Se olharmos mais longe, dois outros países surgem nos pesadelos de Jerusalém: a Síria onde a cada dia islamistas vindos de longe se juntam aos rebeldes. E, claro, o Irã, com seus dirigentes insanos, seus arsenais do inferno nuclear. Será o caso de nos espantarmos com o fato de a direita radical, e muito radical, estar em ascensão em Israel? / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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