André Dusek/AE
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'O Brasil é importante na luta contra o terror'

Secretária de Segurança Interna dos EUA fala ao 'Estado' sobre pontos da agenda bilateral entre Washington e Brasília

Lisandra Paraguassu, de O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2012 | 03h05

BRASÍLIA - A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Janet Napolitano, lida com alguns dos temas mais complicados e mais importantes para o governo do presidente Barack Obama, como terrorismo, imigração e tráfico de drogas. Em visita oficial ao Brasil, na semana passada, ela falou sobre a possibilidade do fim dos vistos para brasileiros, algo que ainda não está em um horizonte próximo.

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Em conversa com o Estado, Janet afirmou que não há mais grandes preocupações dos Estados Unidos com relação à tríplice fronteira - entre Paraguai, Brasil e Argentina -, mas revelou a preocupação em trabalhar com o governo brasileiro para aumentar a segurança nas portas de entrada do Brasil.

"A preocupação com a segurança de fronteiras vem com o fato de ser uma nação soberana. Visto que terroristas viajam muito, não há nenhuma região no mundo que não seja possivelmente objeto de um ataque terrorista, ou pelo menos uma zona de trânsito para terrorismo", afirmou a americana. A seguir os principais trechos da entrevista.

A sra. lida com alguns temas delicados: terrorismo, tráfico de drogas, de pessoas, imigração. No que a sra. está trabalhando com o Brasil?

Janet Napolitano: Existem vários temas nos quais estamos trabalhando. Há todo um grupo sobre movimento de passageiros e de carga entre os dois países, como podermos fazer para ter certeza que tudo está em segurança, como podemos reconhecer mutuamente os nossos sistemas e ter certeza de que estamos sendo bons parceiros comerciais.

Qual é a perspectiva de o Brasil estar pronto para o fim da exigência de vistos?

Janet Napolitano: Estamos trabalhando com o Brasil sobre o que é preciso fazer para qualificar o País para obter uma isenção de vistos. As exigências são parte da lei. Então, não é algo em que podemos ter flexibilidade. No entanto, podemos repassar informações sobre o que outros países fizeram, como eles alcançaram os requisitos. Estamos trabalhando com o Brasil e vamos continuar a fazê-lo.

O que falta para o Brasil chegar a uma condição que lhe permita o fim dos vistos?

Janet Napolitano: Eu realmente não gostaria de ir a esse grau de detalhe, mas são vários pontos. O Brasil é um país importante. Há muitas pessoas viajando entre os dois países. Então, à medida que pudermos tornar as viagens mais fáceis, vamos fazer.

Os Estados Unidos sempre cobraram mais segurança do Brasil nas fronteiras, especialmente na tríplice fronteira, para controlar o terrorismo. Washington alegava que existiam sinais de movimentação terrorista na região. Ainda há essa percepção?

Janet Napolitano: O que nós compartilhamos é o que estamos fazendo para garantir que nossas fronteiras sejam seguras. Cada país faz de forma diferente, dependendo das circunstâncias locais. No entanto, uma das coisas que queremos fazer é privar potenciais terroristas da habilidade de se movimentar, de explorar as fronteiras. Essa é uma das coisas que discutimos com o Brasil.

Mas ainda há essa percepção de que pode haver atividade terrorista na tríplice fronteira?

Janet Napolitano: Eu não diria isso. Eu acredito que a segurança das fronteiras não é apenas em razão do terrorismo, mas de várias outras coisas, como drogas, tráfico de pessoas, de armas. Os Estados Unidos têm experiência em boas ações de controle de fronteiras. O Brasil também tem experiência e podemos compartilhá-las. Eu não disse que o Brasil tem problemas com terrorismo, mas a preocupação com a segurança de fronteiras vem do fato de ser uma nação soberana. Uma vez que terroristas viajam muito, não há nenhuma região no mundo que não seja possivelmente objeto de um ataque terrorista, ou pelo menos uma zona de trânsito para terrorismo. Então, o Brasil é importante na luta contra o terrorismo, porque a comunidade internacional tem interesse em privar esses terroristas da capacidade de viajar.

Qual é o cenário internacional hoje da atividade terrorista?

Janet Napolitano: O que vimos se desenvolver nos últimos três anos e meio foram redes afiliadas da Al-Qaeda que surgiram em todo o mundo, como a Al-Qaeda na Península Árabe (Aqap) e a Al-Qaeda no Magreb Islâmico (Aqim). Da perspectiva dos Estados Unidos, a mais ativa é Aqap. Nós estamos trabalhando ao redor do mundo, trocando informações de inteligência sempre que podemos, para proteger as pessoas.

O terrorismo se diversificou?

Janet Napolitano: De fato, estamos lidando hoje com uma diversificação do terrorismo, com grupos diferentes, cada um com seus subgrupos e com suas cadeias de comando. Esse tipo de ambiente difuso é o que teremos de lidar por algum tempo ainda.

Após a Primavera Árabe, mudou alguma coisa na maneira de combater o terrorismo?

Janet Napolitano: Nosso interesse nesses países é a realização de eleições livres e democráticas. Eu acredito que isso seja um desenvolvimento encorajador. Mas, na perspectiva do contraterrorismo e da segurança, nós ainda temos de trabalhar por meio das fronteiras nacionais em todo o mundo para evitar as viagens de terroristas e, quando possível, garantir que eles sejam presos. Isso, infelizmente, ainda não mudou.

 

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