‘O Brasil tem de respeitar a nossa escolha, feita segundo as nossas leis’

Alfredo Luis Jaegli, senador paraguaio e articulador da destituição de Fernando Lugo, afirma que mudança ocorreu dentro das regras políticas

Roberto Simon, ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO,

23 de junho de 2012 | 19h28

Um dos articuladores da destituição do presidente Fernando Lugo, o senador Alfredo Luis Jaegli pede calma à presidente Dilma Rousseff e promete "ótimas relações" entre o novo governo paraguaio, comandado por Federico Franco, e o Brasil. Jaegli, como Franco, é do Partido Liberal, que rompeu com Lugo na semana passada e, na sexta-feira, chegou ao poder pela primeira vez desde 1939. "Vamos fazer de tudo para que o Brasil, nossa nação irmã, fique do nosso lado", adianta o senador. Ele avisa ainda que o novo governo do Paraguai estará "bem distante" da Venezuela - e as relações com os EUA "serão muito melhores". A seguir, trechos da conversa com o Estado.

 

Qual é a mensagem do novo governo paraguaio à presidente Dilma Rousseff?

Espero que o Itamaraty entenda que tudo que se passou no Paraguai foi constitucional, institucional e republicano. Trata-se de uma mudança que teve de ser feita e foi apoiada em um consenso no nosso Congresso. O Brasil tem de respeitar a nossa escolha, feita de acordo com as nossas leis.

 

Como o sr. vê esse risco de o governo brasileiro defender a suspensão do Paraguai do Mercosul e da Unasul?

Essa posição brasileira deve ser reconsiderada. O Itamaraty é a chancelaria mais inteligente do Hemisfério Sul. Realmente espero que eles avaliem com cuidado o que aconteceu aqui e se deem conta de que o novo presidente, Federico Franco, é uma grande pessoa. Vamos ser muito amigos do Brasil e fazer muitas coisas juntos.

 

E como o sr. responde à acusação dos países da Unasul de que o devido processo não foi respeitado e Lugo foi destituído sem amplo direito de defesa?

Por favor... Foi absolutamente respeitado.

O presidente foi destituído em menos de 36 horas.

Nós (congressistas) fazemos as regras do julgamento político, conforme prevê a Constituição paraguaia. Não é como o Brasil. Mesmo assim, vocês suspenderam o presidente Fernando Collor de Melo de um dia para o outro.

 

Collor renunciou antes de sofrer o impeachment, cujo processo levou meses, e não 36 horas.

Sim, mas foi um processo de julgamento político também. Aqui temos algumas regras diferentes, mas o princípio é o mesmo. E, no caso de Lugo, é preciso notar que 76 dos 80 deputados e 39 dos 45 senadores de todos os partidos políticos apoiaram a destituição. Isso nos dá uma enorme legitimidade.

 

E como o sr. vê, por exemplo, o futuro de Itaipu ou a situação dos brasileiros que vivem aqui, questões que dependem da cooperação Brasil-Paraguai?

Nossas relações serão ótimas, incluindo a questão de Itaipu e dos brasileiros. Queremos que tudo fique bem. Creio que o governo brasileiro está se apressando um pouco. Vamos conversar calmamente com o embaixador brasileiro em Assunção (Eduardo Santos).

 

A Venezuela tem uma posição dura em relação ao novo governo. Como o sr. avalia isso?

Eles têm uma posição radical e distante daquela defendida pelo novo presidente do Paraguai. Mas já esperávamos isso.

 

Haverá mudança nas relações do Paraguai com os americanos?

Nossas relações com os EUA serão excelentes, muito melhores do que as de Lugo.

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