O candidato do Partido Republicano se definiu. E agora?

Análise: Chris Cillizza /

WPOST, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2012 | 03h02

Uma das batalhas do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney foi concluída. Ele será o candidato republicano nas eleições presidenciais de novembro. Mas agora o aguarda um desafio ainda maior. Várias pesquisas recentes mostram que ele está bem atrás do presidente Barack Obama nas intenções de voto e com uma das notas mais desfavoráveis já obtidas por um candidato à presidência nessa fase da campanha.

Isso significa que Romney precisa tratar de se adaptar rapidamente a essa nova realidade política. Abaixo estão cinco coisas que ele terá de fazer no futuro próximo para dar início ao processo.

1. Conversar com alguns veículos da mídia nacional. Sua equipe limitou a exposição à mídia do candidato e a estratégia aparentemente funcionou para as primárias. Mas Romney precisa de um enorme megafone para que agora seu eleitores tenham um primeiro contato positivo com ele. E somente a mídia nacional pode lhe fornecer esse megafone e servir como uma espécie de seu avalista.

2. Pôr Ann Romney no centro da campanha. O candidato precisa tomar decisões difíceis a respeito de problemas com os quais as pessoas se preocupam. A mulher dele não. Mas, no caso de Romney, sua mulher poderia ser crucial para ao menos tratar do problema do eleitorado feminino. Não só a história pessoal de Ann - que lutou contra o câncer de mama e tem esclerose múltipla - é convincente, como ela é a pessoa que pode contar como Romney lidou com as mulheres ao longo de sua vida. Ela é a sua melhor propagandista junto ao eleitorado feminino.

3. Abordar a questão da religião mórmon. Talvez por causa da experiência adquirida na campanha de 2008, na qual ficou claro que parte da relutância dos evangélicos em relação a Romney devia-se ao fato de ele ser mórmon, a edição de 2012 de sua campanha evitou acenos à sua religião. Agora Romney precisa falar da influência da religião em sua vida. Por que? Porque ele teve uma ligação profunda com a igreja por décadas, e é evidente que sua experiência como líder nesta organização influenciou na sua maneira de ser e de pensar a respeito do serviço público. Sendo um candidato que precisa fazer com que as pessoas acreditem que ele é algo mais do que um empresário preocupado apenas com os lucros, e tem alguma empatia por elas, vale a pena apostar em sua capacidade de mostrar que a fé enriqueceu e deu sentido à sua vida.

4. Apresentar uma boa proposta na questão da saúde. Está claro desde as primeiras fases das eleições gerais que Obama e sua equipe política acreditam que o trabalho de Romney sobre a saúde, quando governador de Massachusetts, oferece uma abertura para neutralizar os possíveis elementos negativos relacionados à legislação sobre saúde. Romney conseguiu escapar aos ataques sobre a questão durante as primárias, prometendo rejeitar a lei. Mas provavelmente isso não bastará numa eleição geral na qual a campanha de Obama afirmará que as críticas de Romney ao projeto de lei não são válidas, pois ele é um dos seus progenitores. Ele precisa de uma incisiva resposta ao ataque.

5. Romper de algum modo com os conservadores. Romney não perderá as eleições porque as bases não estão muito entusiasmadas com ele. Romney perderá as eleições porque os eleitores do centro político o consideram uma cria da direita ideológica em quem não votarão. Agora que Romney é praticamente o candidato sem contestação, precisa se distanciar da direita do partido. E quanto mais cedo melhor.

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